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Tecnologia: USP desenvolve software que monitora vazamentos em oleodutos com precisão

Publicado em 02 março 2006

Equipamento está em fase de testes e terá custo cinco vezes menor que os sistemas disponíveis no mercado

Com base em conceitos de inteligência artificial, pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da USP, desenvolveram software capaz de monitorar vazamentos em oleodutos e gasodutos com precisão absoluta. "O índice de acerto foi de cem por cento. Todos os vazamentos artificiais produzidos durante os testes foram detectados pelo sistema", diz o coordenador do projeto e professor da Escola de Engenharia, Paulo Seleghim Júnior.
Os primeiros testes foram realizados em tubulações de água e ar, elementos utilizados para simular misturas de óleo e gás. Foram feitas 3 mil simulações de escoamento num oleoduto piloto da universidade. O pesquisador explica que o sistema é programado para identificar as condições de operação normal de um oleoduto. Quando há algum vazamento nas tubulações, as medidas de pressão do sistema, obtidas por meio de sensores, emitem um sinal de alerta. "São fornecidos ao software um conjunto de regras genéricas e modelos de tubulações funcionando em diferentes regimes. Utilizando o que chamamos de lógica difusa, o programa consegue tomar decisões precisas, como acionar o desligamento da bomba em caso de vazamento", explica o pesquisador.
O protótipo inicial foi desenvolvido para ser aplicado na indústria. Quando terminarem os testes na tubulação experimental, o software será submetido a provas de campo, quando serão verificadas as condições de funcionamento em oleodutos reais. A elaboração do programa de computador e os testes experimentais estão sendo conduzidas por dois doutorandos da Escola de Engenharia de São Carlos, Marcelo Selli e Kelen Crivelaro.

Maior economia
Os equipamentos utilizados para o monitoramento de oleodutos são baseados em modelos mecanicistas, que nem sempre apresentam resultados precisos, o que leva a um alto índice de falsos alarmes. Além da exatidão obtida com os modelos de inteligência artificial, a economia gerada pelo sistema é outro estímulo aos pesquisadores. Os equipamentos mecanicistas custam cerca de US$ 500 mil. Seleghim prevê que o novo programa terá custo aproximado de US$ 100 mil. "Todos os sistemas utilizados no Brasil são importados. Nosso objetivo é chegar a um sistema inteiramente nacional e adaptável a diferentes particularidades das tubulações", explica Seleghim.
Entre as aplicações das técnicas de inteligência artificial desenvolvidas no Núcleo de Engenharia Térmica e Fluidos (Netef) da EESC estão um sistema de detecção de vazamentos de água, em testes no Serviço Autônomo de Água e Esgotos (Saae) de São Carlos, e um programa para controlar o transporte pneumático de bagaço de cana. "Também foi criado um 'degustador' de gasolina, aparelho que detecta adulterações no combustível diretamente nas bombas", conta Seleghim.
Agência FAPESP