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Tecnologia usada pelo Exército deve auxiliar na detecção de pessoas com COVID-19 - Technanet.com.br

Publicado em 08 junho 2020

Uma das maneiras mais eficientes de se combater a disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2) é a rápida identificação dos contaminados, já que mesmo casos assintomáticos podem transmitir o vírus. Para isso, um monóculo portátil com visor térmico foi desenvolvido para o combate da COVID-19, além de um sistema que capta diferentes comprimentos de onda, usado normalmente por motoristas de veículos blindados do Exército.

No combate à pandemia, a invenção deve auxiliar na rápida identificação de pessoas com febre, em locais com grande circulação e aglomeração, lembrando que a elevada temperatura corporal é um dos principais sintomas do novo coronavírus. Até o momento, comercializadas de forma individual para fins militares pela empresa Opto Space & Defense, as tecnologias são adaptadas para o combate da COVID-19 através de um projeto apoiado pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).

Segundo estimativas da empresa, o protótipo do visor térmico deve estar pronto até junho, e a tecnologia final, disponível após poucos meses. “A proposta é desenvolver um sistema inteligente de imageamento nos espectros visível e termal que processe dados relativos à identificação de pessoas com febre em locais onde há aglomeração, como empresas, escolas, academias e shoppings”, explica Raphael Pereira Moreno, pesquisador responsável pelo projeto, para a Agência FAPESP.

De acordo com o pesquisador Moreno, esse sistema para medição de febre será composto, principalmente, por uma câmera termal, que fará a varredura por pessoas a uma distância de até 12 metros. Nessa distância, o sistema pode localizar pontos específicos para a medição da temperatura, como a região dos olhos e das bochechas. Assim, um programa embarcado processará, instantaneamente, as informações.

Caso identifique alguém em estado febril, o sistema deve emitir um alerta para os operadores de segurança, que poderá ser sonoro ou luminoso. Os rostos das pessoas em estado febril identificadas pelo sistema poderão ser consultados pelos operadores de segurança em um monitor convencional.

“Dependendo das necessidades dos clientes, a identificação do estado febril dos frequentadores de um determinado local poderá ser atrelada a algum mecanismo de segurança, como o travamento da catraca de acesso”, explica Moreno sobre a invenção. Os sensores que serão embarcados no sistema poderão ser ajustados para um intervalo de temperatura entre 35ºC e 44ºC, por exemplo.

Ainda segundo Moreno, o desenvolvimento do sistema de detecção de pessoas em estado febril pode ser incrementado a outras tecnologias militares que a empresa sediada em São Carlos, no interior de São Paulo, já desenvolve, como equipamentos baseadas em sensores e câmeras multiespectrais.

“Vamos agora calibrar os sistemas que já temos, desenvolver um gabinete portátil para a instalação das câmeras e otimizar os algoritmos que vão fazer todas as leituras”, conclui o pesquisador. Para o mercado, a tecnológica inda deve ser aptada para o uso civil e para uma plataforma portátil, com fonte de alimentação dedicada.