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Cruzeiro do Sul

Tecnologia sorocabana monitora atletas de alto desempenho

Publicado em 15 agosto 2018

Nacionalizar a mais alta tecnologia que pode ser usada a favor da melhor performance e desempenho dos atletas e, assim, transformá-la em algo acessível. Esse foi o foco dos empresários Paulo Camargo, Fernando Endo e Alexandre Álvaro, que transformaram em algo concreto o que há menos de uma década não passava de uma ideia.

Bem ao lado do rio Sorocaba, no Jardim Leocádia, eles e a equipe da One Sports trabalham desenvolvendo hardwares e softwares e montando equipamentos que monitoram o desempenho de jogadores de alto rendimento de muitos clubes brasileiros — como as equipes de futebol do Corinthians, Santos, Novo Horizontino, Botafogo, Sport e CSA — além do Sorocaba, no futsal, e de atletas da Seleção Brasileira de Vôlei e outros ligados ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

A empresa que o trio de sorocabanos lidera era um conceito em 2011, quando Fernando Endo começou a desenvolver tecnologia voltada ao esporte, na antiga Incubadora Tecnológica de Empresas de Sorocaba (Intes). Naquele tempo, entretanto, boa parte deste trabalho estava ligado apenas ao monitoramento cardíaco. E as tecnologias foram evoluindo a uma velocidade impressionante. Foi quando os três se associaram, em 2015, para iniciar uma nova fase desse desenvolvimento, baseado no conceito da internet das coisas, que acabara de surgir. “Começamos a estudar como essa tal de ‘internet das coisas’ ia se aplicar ao mundo do esporte e da saúde”, lembra Paulo.

Mas a ideia não foi “inventar a roda”, mas nacionalizar e aprimorar o que existe de mais moderno nessa área. O projeto foi escolhido para receber apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que desde então já investiu R$ 1,4 milhão para que essa tecnologia esportiva fosse desenvolvida em Sorocaba. Desenvolver tecnologia de ponta dentro do Brasil significa, acima de tudo, baratear os produtos e garantir acesso a eles. “Além disso, é a oportunidade de adequá-la à realidade brasileira, ao atleta brasileiro, com preço nacional. Isso ajuda a massificar o acesso a ela. Uma coisa são os times grandes, que têm dinheiro para comprá-la; outra bem diferentes são as equipes menores”, avalia Paulo, destacando que, “infelizmente”, quando se fala em investimento em atletas de alta performance no Brasil, o grande foco ainda é o futebol.

“O melhor GPS do mundo é australiano, o nosso é sorocabano. Só que para quem não tem condições de comprar o australiano, o sorocabano já vai ajudar, e muito.” Para se ter uma ideia, isso significa uma queda de preço de R$ 30 mil para R$ 4 mil. Paulo conta que os equipamentos hoje projetados e montados em Sorocaba — para monitoramento de performance em tempo real, monitoramento cardíaco, registro de mobilidade, velocidade e potência muscular — existem fora do Brasil mas, além de caros, para quem precisa importá-los, não “conversam entre si”. E essa é a aposta inovadora da empresa. “Essa integração das informações é o que faz mais sentido para o médico, o preparador físico, o fisiologista, o fisioterapeuta. Todos [os equipamentos] de internet das coisas se comunicam numa mesma plataforma na nuvem. Isso permite avaliar os dados e tomar decisões baseadas em evidências.” Os próximos passos, conta o empresário, é entender como essa alta tecnologia chega na saúde e fazê-la chegar também ao esportista amador. “Essa é a contribuição que a gente pode dar para a prática de atividade física em geral. Hoje todo mundo quer ter essa experiência digital.”