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Tecnologia reduz o uso de fibras sintéticas na produção de telhas de fibrocimento

Publicado em 20 dezembro 2013

Por Rodrigo Louzas

Pesquisa desenvolvida pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) apresenta uma alternativa para o processo de produção de telhas de fibrocimento. A proposta da tese de doutorado defendida por Cleber Marcos Ribeiro Dias é reduzir o uso de fibras sintéticas - que já são utilizadas como alternativa ao amianto - na composição do fibrocimento.

Pelo estudo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a quantidade de fibras sintéticas no fibrocimento pode ser diminuída sem que o material sofra alterações em seu desempenho. "Focamos em desenvolver uma forma de otimizar o emprego das fibras, reduzindo o teor deste material nos produtos de fibrocimento sem alterar o desempenho. Obtivemos o conhecimento de que a natureza já faz isso. Alguns organismos naturais são otimizados dessa forma, o que fizemos foi imitar o que a natureza já faz", explica Dias.

No desenvolvimento do estudo foram testadas as tensões que uma telhas de fibrocimento sofria com o tempo - como, por exemplo, a ação do vento - chegando à conclusão de que elas "não eram uniformes, ou seja, não as atingiam de maneira igual". Após este processo, a homogeneidade das fibras do produto foi questionada. E, assim, foi possível construir uma "tecnologia capaz de produzir fibrocimentos com gradação funcional", explica o pesquisador.

O próximo passo do estudo foi produzir em escala laboratorial os fibrocimentos que possuem a resistência adequada de acordo com as suas necessidades. Nesta fase do estudo, o pesquisador concluiu que é possível produzi-los com baixos teores de fibras e desempenho melhorado, o que levou a um pedido de patente.

Para Dias, "os fibrocimentos com gradação funcional podem apresentar diferentes teores de fibras e de cimento em distintas partes do produto, e isso pode ser feito para qualquer matéria-prima da composição". Após alguns testes, foi comprovado que esse tipo de telhas pode ser produzido em escala industrial de maneira relativamente simples.

Vale lembrar que, por ter um alto valor no mercado, as fibras sintéticas encarecem o preço final da telha.

A tese faz parte do projeto Cimento-Celulose, elaborado pelos professores Holmer Savastano e Vanderley John da POLI-USP. O estudo ganhou Menção Honrosa no Prêmio Tese Destaque USP 2013.

Do Portal PINIweb