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Tecnologia presente no iPhone é usada para mapear morte de árvores na Amazônia

Publicado em 16 fevereiro 2021

Conheça a pesquisa que pode ajudar a entender fatores importantes para conter o aquecimento global

Resumo

- Pesquisadores brasileiros lançaram lasers sobre a floresta amazônica para entender as mortes de árvores.

- Alguns fatores foram encontrados como motivadores para isso.

- Pesquisa explica questões relacionadas ao aquecimento global.

Com um modelo bastante inovador, pesquisadores brasileiros mapearam clareiras na Amazônia para descobrir os motivos pelos quais as árvores morrem . O resultado do estudo foi publicado na revista Scientific Reports.

Para mapear a vegetação que fica em lugares longínquos e não conseguem ser acessadas por satélite devido à grande presença de nuvens, os pesquisadores usaram laser .

A técnica escolhida foi o LiDAR (sigla em inglês para Light Detection and Ranging). De um avião, foram lançados milhares de feixes de laser, que acertam a superfície da terra e voltam para o equipamento na velocidade da luz. A altura dos objetos, como árvores, pode ser medida pela diferença de tempo que o laser demora para voltar.

O LiDAR é utilizado, por exemplo, em iPhones. No celular, ele serve para medir a altura de pessoas e objetos ou para fazer funcionar usar aplicações que envolvem realidade aumentada .

Com as informações coletadas na floresta, é possível caracterizar a estrutura da vegetação e modelar tridimensionalmente a superfície do terreno.

“As regiões oeste e sudeste da Amazônia apresentaram maior quantidade de clareiras, que coincidem com a área próxima ao arco do desmatamento, sob influência humana. Nessas regiões, a dinâmica da floresta é até 35% mais rápida do que na área central-leste e norte, ou seja, há maior criação de clareiras e mortalidade”, analisa Ricardo Dal’Agnol, pesquisador na Divisão de Observação da Terra e Geoinformática do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em entrevista à Agência FAPESP.

Mais de 600 sobrevoos foram feitos para identificar a vegetação e entender melhor as causas de mortalidade das árvores da região. Os pesquisadores descobriram que o estresse hídrico, a fertilidade do solo e a degradação da vegetação influenciam na dinâmica dessas clareiras.

Essas mudanças no comportamento das florestas pode impactar bastante na quantidade de gás carbônico que elas consomem, impactando diretamente no aquecimento global .

"As incertezas associadas às causas e mecanismos de mortalidade de árvores, especialmente em escalas menores, restringem a capacidade de medir com precisão o ciclo de carbono da floresta tropical e avaliar os efeitos das mudanças climáticas. A mortalidade de árvores na Amazônia aparentemente aumentou desde a última década, provavelmente devido à maior variabilidade climática e feedbacks de crescimento e morte mais rápidos. Isso reduziu efetivamente os ciclos de vida da vegetação", escrevem os pesquisadores na introdução do artigo publicado na Scientific Reports.

O desafio dos pesquisadores agora é entender como funciona a dinâmica de árvores que morrem mas não caem. "Algumas árvores morrem e não caem, ficando apenas com os troncos, como um esqueleto. Uma sequência seria tentar mapear essas árvores mortas em pé para complementar as informações sobre mortalidade", explica Dal’Agnol.

Por iG Último Segundo