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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Tecnologia naval estuda comportamento de animais marinhos

Publicado em 03 maio 2012

Uma tecnologia utilizada na indústria naval· para exploração de petróleo em águas profundas, entre outras aplicações- irá auxiliar pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no câmpus experimental de São Vicente, a conhecer melhor o comportamento de raias marinhas e de água doce.

Os cientistas estão testando mundo em cativeiro e em breve começarão a utilizar Veículos Subaquáticos Operados por Controle Remoto (ROVs. na sigla em Inglês), combinados com equipamentos de radiotelemetria e telemetria acústica para estudar padrões de movimentação e distribuição de raias em rios do oeste paulista e no litoral norte do estado.

Resultado de um projeto apoiado pela Fapesp, o estudo utilizando ROVs e radiotelemetria especificamente para essa finalidade era inédito no Brasil.

“As tecnologias se complementam e possibilitarão trazer à tona informações sobre a ecologia espacial de algumas espécies de raias ainda são des­conhecidas, já que estudos dessa natureza ainda não foram realizadas no Estado de São Paulo, especialmente em função do custo elevado e da necessidade de formação específica, disse Domingos Garrone Neto, pesquisador da Unesp.

O pesquisador iniciou um estudo sobre o comportamento de raias utilizando radiotelemetria – em que são inseridos no animal transmissores que emitem sinais de rádio – em 2011, no rio Paraná, na divisa com mato Grosso do Sul.

 

Como o peixe cartilaginoso, a exemplo dos tubarões, usa o sistema eletrossensorial para detectar suas presas, Garrone começou a questionar os possíveis efeitos dessas marcas eletrônicas no comportamento dos animais.

Para analisar os eventuais impactos dos equipamentos de radiotelemetria em raias, o pesquisador optou por continuar a pesquisa em cativeiro, em aquários montados especialemente para essa finalidade.

“Estamos terminando os experimentos e, em breve, saberemos se os radiotransmissores interferem ou não no comportamento das raias”, disse Garrone.

No litoral paulista, o pesquisador conheceu o Núcleo de Tecnologia marinha e Ambiental (Nutecmar), que opera ROVs, e viu a possobilidade de incoroporar mais essa tecnologia a sua pesquisa sobre ecologia espacial de raias.

Após realizar cursos na empresa para operar o equipamento, cujos comandos são similares aos de helicóptero, Garrone pretende utilizá-lo em seu projeto de pós-doutorado, sob a supervisão do professor Otto Bislark Fazzano Gadig.

“Pretendemos utilizar ROVs para explorar tinto o mar como a água doce para analisar o comportamen­to de tubarões e raias em grandes profundidades de dia f à noite: explicou Garrone.

Inicialmente, os pesquisadores estio utilizando um ROV cedido pela empresa parceira do projeto para re­alizar os estudos. Mas, no mês de  abril deverão começar a operar um equipamento próprio, importado da Rússia e adquirido com auxilio da Fapesp.

Avaliado em cerca de USS 60 mil, o ROV que será adquirido pelos pesquisadores pode atingir até 150 metros de profundidade e é capaz de operar inter­ruptamente quando plugado por um cabo de energia a uma corrente alternada. Ou entre quatro a doze horas, utilizando a bateria de navios ou botes.

 

O equipamento, que pesa cerca de 12 quilos e tem o e tem o tamanho um pouco maior do que de um aparelho de microondas doméstico. é dotado de duas câmeras localizadas em sua dianteira e traseira. Operadas na superfície, captam imagens em tempo ml que são transmitidas para um monitor conectado a um HD de computador fora do ambiente aquático.

O robô também tem diodos de laser que possibilitam avaliar a escala de tamanho dos animais com os quais se defronta na água, além de braços articuláveis que permitem coletar materiais no fundo do mar.

Outros acessórios do equipamento são sanares que conseguem identificar os alvos com precisão, mesmo quando o equipamento é operado em águas turvas., além de propulsores que permitem que o mini sub­marino navegue até 4 nós de velocidade e emissoras de luz de LED para trabalhos noturnos ou exploração de locais com pouca ou nenhuma luminosidade, como cavidades e ambientes profundos.

Mas, segundo “Garrone, uma das maiores invenções do ROV “brasileiro”será de um sistema de depuração de imagens que permitirá melhorar a visibilidade de imagens capturadas em águas turvas, tornando-as extremamente limpas como as de uma piscina. “O robô permitirá substituir nossa presença na água por tempo ilimitado, possibilitando explorar os ambientes com maior segurança e precisão, principalmente no mar, onde a profundidade e a temperatura da água costumam limitar os trabalhos por longos períodos, destacou.