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Gazeta Mercantil

Tecnologia nacional inédita monitora estoque químico - Exxon, Rhodia, Basf, Ipiranga e Oxiteno usam o programa

Publicado em 12 fevereiro 2004

Um sistema inédito no mundo capaz de monitorar estoques químicos via Internet é o responsável pela receita de R$ 1 milhão da NetVMI, empresa do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), da Universidade de São Paulo (USP). A NetVMI nasceu há 4 anos com o propósito de comercializar o produto, na época em desenvolvimento, composto por um software e um equipamento de telemetria. O projeto, finalizado há dois anos, foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) a um valor de US$ 100 mil. Luiz Fernando Ribeiro Atolini, diretor da empresa, conta que mesmo antes de desenvolver o sistema NetVMI, a empresa já atuava comercialmente com um equipamento de telemetria sem Internet. "Era provisório e serviu para entrarmos no mercado. Nossos clientes vinham sendo informados a respeito do projeto em andamento, o que facilitou a posterior comercialização do novo sistema", afirma. A NetVMI, no primeiro ano de existência, faturou cerca de R$ 30 mil. Em 2001, a receita anual atingiu R$ 200 mil e no ano seguinte triplicou para R$ 600 mil. Atolini informa que o produto beneficia a "internacionalização" da empresa, que possui um representante nos Estados Unidos e desde 2002 atua no mercado internacional. "Não é necessário mais que um representante, pois basta colocar o equipamento de telemetria no tanque que armazena o produto químico e o estoque passa a ser monitorado de qualquer lugar do mundo", diz. A NetVMI, além de atuar nos Estados Unidos, seu principal mercado externo, também exporta para Colômbia e Argentina. Daqui a um mês Atolini irá para a Ásia em busca de acordos com empresas da Malásia, Tailândia e China. Ele afirma que as exportações representaram em 2003 cerca de 5% da receita da empresa e em 2002 foram responsáveis por 2%. Este ano. Atolini espera que as vendas para o exterior respondam por 20% da receita, estimada em R$ 2 milhões, crescimento de 100% sobre 2003. O diretor explica que o monitoramento, no caso de apenas um sistema, pode ser feito por mais de uma empresa. "A fornecedora do produto químico instala o equipamento de telemetria no tanque de sua cliente: dessa forma, tanto quem fornece quanto quem compra a química pode controlar o estoque pela Internet, através do site da NetVMI", informa. Atolini comenta que às corporações envolvidas precisam cadastrar login e senha para ter acesso às informações contidas no site. De acordo com Atolini, a possibilidade de monitorar o estoque do cliente aumenta a eficácia do abastecimento dos tanques e evita que a produção fique desfalcada momentaneamente por falta de matéria-prima. O monitoramento feito pelo fornecedor também ocorre com outros equipamentos de telemetria. No entanto, o acesso aos níveis de estoque de qualquer lugar do mundo, através da Internet, só é possível com o Sistema NetVMI. O diretor ainda diz que o produto permite a integração com o sistema de gestão da empresa que fornece o produto químico. Lucila Gianetti, analista de marketing da Oxiteno que utiliza o sistema, empresa do setor químico, diz que a tecnologia cria um diferencial de mercado. "A ferramenta é prática e contribui na fidelização do cliente", informa. Lucila diz que a Oxiteno usa o produto desde 2002. A empresa nacional, que tem 900 funcionários e quatro fábricas, instalou o sistema de monitoramento em 25 clientes. Atolini afirma que o Sistema NetVMI já está patenteado e não é vendido, mas alugado. O diretor conta que para ter a tecnologia é necessário pagar uma taxa de instalação de US$ 1 mil e um aluguel mensal de US$ 100. O produto está colocado em 200 tanques, e a NetVMI possui hoje 25 clientes, entre os quais Exxon Móbil, Rhodia, Basf, Oxiteno e Ipiranga. Wagner Hilário