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Correio Popular

Tecnologia impulsiona agronegócio

Publicado em 07 maio 2006

Por Delma Medeiros, da Agência Anhangüera (delma@rac.com.br)
Equipamento desenvolvido pela Embrapa Instrumentação Agropecuária permite investigação detalhada da lavoura

Responsável por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o agronegócio brasileiro ainda engatinha em pesquisas tecnológicas. Mas, dois passos importantes nesse sentido estão em desenvolvimento na Embrapa Instrumentação Agropecuária, de São Carlos, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária: o Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (LNNA) e a Plataforma de Desenvolvimento, ou Beef Skiny, como foi apelidada uma estrutura robótica para pesquisas e investigações em culturas diversas.
O gerente de Comunicação e Negócios da Embrapa Instrumentação Agropecuária e professor de pós-graduação em Engenharia Mecânica, Ricardo Inamasu, explicou que, apesar de o campo ser muito vasto e pouco explorado, as pesquisas na área agrícola ainda são incipientes no Brasil. Ele contou que fez um levantamento e encontrou cerca de 300 pesquisadores que trabalham com agricultura e/ou automação. Do total, aproximadamente 20 já atuaram em robótica e/ou agricultura. "Mas, especificamente sobre robótica agrícola não encontramos nenhum trabalho. Tudo ainda está muito no início", afirmou Inamasu à reportagem do Cenário XXI.
Segundo Inamasu, países industrializados como Japão, Estados Unidos e alguns europeus (França, Inglaterra, Alemanha) têm investimento efetivo em tecnologias para o setor agrícola por necessidade, principalmente devido à escassez e custo alto da mão-de-obra. "Por isso, a alternativa é criar máquinas que exijam menos esforço e que possam ser manipuladas por uma única pessoa."

Beef Skiny
Resultado de um projeto conjunto entre Universidade de São Paulo (USP) e Embrapa Instrumentação Agropecuária, com patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o Beef Skiny foi apresentado ao público durante o workshop "Tecnologias de Robótica em Agricultura - Potenciais para Agricultura Tropical", no final do mês passado. O evento teve por objetivo discutir duas novas áreas de pesquisa no Brasil: a automação de processos agrícolas e a robótica.
O projeto do Beef Skiny surge, então, como a primeira intervenção direta nesta questão no País. Trata-se de uma estrutura mecânica, em formato de um portal, capaz de entrar em plantações de milho ou cana-de-açúcar e investigar as condições das plantas, solos, etc. A plataforma tem rodas com autonomia e mobilidade para regulagem de largura e pode até para ser transformado em triciclo.
O equipamento é controlado por um "atuador" (comando de tração e direção) conectado a um computador e operado por telecomando ou programa específico. Na estrutura são instalados sensores, câmeras e outras tecnologias que permitem a investigação detalhada da lavoura. "Com isso, as condições da plantação podem ser analisadas, por exemplo, à noite e em fins de semana. Trata-se de tecnologia específica para a agricultura tropical praticada no Brasil, onde as lavouras em geral ocupam grandes extensões, o que dificulta a investigação", disse Inamasu.
Para os pesquisadores, o Beef Skiny pode ser considerado um laboratório móvel. "O aparelho está pronto para ser testado em campo. Só é preciso embarcar outros equipamentos de acordo com o que vai ser investigado", afirmou o doutorando em Engenharia Mecânica Rafael Vieira de Sousa, um dos criadores do equipamento. Segundo ele, a fase prática representa a concretização da pesquisa. "Muitos projetos ficam só na teoria. Neste caso, vamos passar para prática mesmo", comemorou Sousa.
Outro fator positivo do projeto apontado por Sousa é a junção de diversas áreas do conhecimento na pesquisa, como engenharia mecânica, física e computação.
Quem quiser conhecer mais os trabalhos desenvolvidos pela Embrapa Instrumentação Agropecuária pode acessar o site www.cnpdia.embrapa.br.

Saiba mais - A ciência na prática
As principais linhas de pesquisas que serão contempladas pelo LNNA:
- desenvolvimento de sensores e biossensores aplicados ao controle de qualidade, certificação e rastreabilidade de alimentos;
- caracterização e síntese de novos materiais, como polímeros e materiais nanoestruturados com propriedades específicas;
- desenvolvimento de filmes finos e superfícies para fabricação de embalagens inteligentes, comestíveis e superfícies ativas;
- desenvolvimento de nanopartículas, compósitos e fibras para a fabricação de materiais reforçados, usando produtos naturais, como fibras de sisal, juta, coco e outras para aplicações industriais;
- desenvolvimento de nanopartículas orgânicas e inorgânicas para liberação controlada de nutrientes e pesticidas em solos e plantas, e de fármacos para uso veterinário;
- caracterização de materiais de interesse do agronegócio para obtenção de informações inéditas sobre partículas de solos e plantas, bactérias e patógenos de interesse agrícola.