Notícia

Comércio da Franca

Tecnologia e inovação: necessidade imediata

Publicado em 12 fevereiro 2008

Por Eduardo Schiavoni

Joana D'Arc Félix de Sousa, química e pesquisadora de renome internacional. PHD em Química pela Universidade de Harvard - uma das mais prestigiosas do mundo - desenvolveu um estudo, conforme mostrado na edição de 18 de janeiro de 2008, que poderia revolucionar o mercado calçadista, não só em Franca como em todo o País. Infelizmente, porém, ela vem sendo ignorada.

A constatação não é nova. Foi feita pela primeira vez no dia 19 de janeiro deste ano. Ao que parece, nenhum passo, além da falação, foi dado até o momento. Vale, pois, voltar ao tema e cobrar iniciativa dos calçadistas francanos, que estão a desperdiçar uma ótima chance de trazer desenvolvimento tecnológico ao setor.

Joana criou um método para extrair subprodutos das sobras do couro industrial que rendem, em média, até R$ 400 livres por tonelada de couro. Significa que, diariamente, só com o lixo industrial jogado no aterro da cidade (cerca de 200 toneladas-dia), seria possível gerar R$ 80 mil, livres, com o processamento do lixo. É um bom dinheiro que serviria, certamente, para sustentar centenas - senão milhares - de famílias. Melhor ainda: no aperto em que algumas fábricas encontram-se, seriam milhares de reais bem vindos.

A pesquisa é tão significativa que já recebeu R$ 600 mil da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), entidade que financia pesquisas conhecida pelo rigor com que seleciona projetos para apoiar. Além dos efeitos financeiros, o trabalho de Joana é importante por outro motivo. Pode reduzir significativamente os danos ambientais causados pelo couro que, via de regra, é descartado em aterros sanitários. Faz bem, portanto, para o meio ambiente.

Só que, em nenhum estágio da pesquisa, as indústrias francanas interessaram-se pelo processo. Depois da matéria publicada pelo Comércio, Jorge Donadelli, presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) afirmou não conhecer o projeto, mas mostrou-se interessado em aplicá-lo. Nada foi feito até hoje.

Da mesma forma, nota-se, dia-a-dia, a falta de incentivo ao avanço tecnológico. Inventar novas formas para compactar o lixo industrial, novos equipamentos para otimizar as linhas de produção, novos tratamentos para o couro e, essencialmente, novas tendências e design de sapatos seria papel fundamental para um setor que precisa se reciclar. Todos os aspectos, entretanto, são subvalorizados na cidade.

Investir em inovação e pesquisa é essencial para qualquer tipo de indústria. Triste do setor, porém, que precisa ser cutucado para ficar atento ao que pode ajudar a ele mesmo. Só nos resta esperar, pois, que o trabalho de pesquisadores como Joana seja reconhecido. E que, ao fazer isso, o setor avance de uma vez por todas rumo à modernização que parece inevitável.

SALÁRIO

Os sapateiros reivindicam piso salarial de R$ 630. Os patrões, até agora, não fizeram nenhuma contra-proposta. Ainda assim, cabe consideração sobre o assunto. Entre os setores industriais, o calçadista é o que pior paga em São Paulo. Mais detalhes poderão ser conhecidos esta semana, em matérias neste Comércio. Mas é hora de repensar a realidade de Franca.

SALÁRIO 2

Apenas como comparação: um cortador de cana recebe, no mínimo, R$ 580. Se produzir acima do esperado, os ganhos são maiores, podendo chegar aos R$ 2 mil. As condições de trabalho são diferentes, evidente, mas a disparidade é notória. Não dá pra entender.

FEMININO

Outra notícia interessante diz respeito à uma pequena modificação na produção de calçados em Franca. Amparada pelo sucesso de Jaú, um dos maiores pólos de calçados femininos do Estado, Franca começa a diversificar - ainda que lentamente - sua produção. Hoje, estima-se que algo em torno de 13% da produção local seja de calçados para mulheres. Uma boa decisão, que poderá trazer algum alento ao setor. Mais nos próximos dias em matéria especial neste Comércio.

PAI SCHIAVONI

O ano não começou bem, quando o assunto foi previsões. Pai Schiavoni errou uma - uma das grande empresas de Franca, a Agabê, pediu recuperação judicial e demitiu funcionários. Ainda assim, cabe uma ressalta: uma parte significativa da produção da empresa - algo perto dos mil pares - continuará a ser fabricado na cidade, através de empresas terceirizadas. Não anula o prejuízo e o furo, mas ao menos alivia a situação - complicada - dos trabalhadores locais.