Notícia

Jornal da Manhã (Cricíuma, SC)

Tecnologia desenvolvida

Publicado em 10 maio 2003

Tecnologia desenvolvida no Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), permite extrair e purificar a sílica da casca de arroz para produção de cimento e concreto mais resistentes que os atuais no mercado. Por ser resíduo agrícola e tóxico, a sílica é matéria-prima barata que após ser tratada em laboratório por pesquisadores evita prejuízos à natureza e traz a vantagem de gerar renda quando comercializada. Composta por carbono e sílica, a casca corresponde a 20% do peso do arroz. Diferentemente da extraída da areia, essa sílica é de difícil biodegradação e quando isso ocorre dá origem a um solo arenoso de pouca produtividade. Queimada pelas termoelétricas, a casca de arroz produz carbono, usado na geração de energia. As cinzas que sobram do processo contêm bastante sílica (quase 20%), gerando poluição e impedindo seu uso como adubo. Os beneficiadores de arroz costumam queimar as cascas e deixá-las no campo, causando danos ao solo. "No solo onde se joga o material queimado não brota mais nada. A queima da casca de arroz origina cinza com sílica na forma cristalina. Esse pó preto é tóxico e, se aspirado, pode causar a silicose nos seres humanos, doença que faz o pulmão perder elasticidade", adverte Jefferson Libardi Liborio, coordenador do projeto desenvolvido pela equipe de Engenharia de Estruturas. PUREZA E RESISTÊNCIA O processo, desenvolvido com financiamento de R$ 230 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), está patenteado e consiste em aquecer a casca com ácido (até vinagre pode ser utilizado), para que os sais sejam retirados. Depois disso, ela pode ser queimada, gerando uma sílica branca e pronta para ser utilizada na indústria. O processamento das cascas vem sendo pesquisado desde o início da década de 90. Além de aprimorar os processos de coleta e extração da sílica, o grande desafio era conseguir um grau elevado de pureza no produto final, de forma economicamente viável em escala de produção. Essa etapa já foi vencida. O novo material poderá ser utilizado na construção civil, dentifrícios e borrachas. De acordo com o pesquisador, o cimento e concreto com sílica poderão ser usados em obras a grandes profundidades (como futuros laboratórios marítimos para pesquisar a fauna e a flora), até 11 mil metros, por possuírem resistência dez vezes superior aos demais. Poderão ser ainda utilizados em celas de presídio, pistas de pouso de aviões e outras construções que exijam material de grande resistência. A Força Aérea Brasileira (FAB), entre outras empresas, já demonstrou interesse no produto.