Notícia

Gazeta Mercantil

Tecnologia de ponta via "joint venture

Publicado em 07 dezembro 1995

Por Juliana Almeida - de São Paulo
A Trevisan Auditores e Consultores formalizou ontem a constituição de uma "joint venture" com a empresa inglesa Nimtec e a Fundação Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para transferência de tecnologia de ponta. Com um investimento inicial de US$ 1 milhão, a Trevisan terá acesso ao banco de dados da Nimtech, onde estão listados os principais detentores de tecnologia no mundo. Para o sócio Antoninho Marmo Trevisan, a iniciativa vem ao encontro das expectativas do empresariado brasileiro, que busca soluções rápidas e mais baratas para seus problemas tecnológicos. "A Nimtech percebeu um nicho de mercado ainda não explorado no mundo", argumenta Trevisan. O objetivo da empresa inglesa é estabelecer redes de competências tecnológicas ao redor do mundo, como universidades e institutos de pesquisa - que serão responsáveis pela sua própria rede de trabalho. "A Nimtech é uma organização virtual, que emprega diretamente apenas trinta pessoas. Mas, só este ano, foi responsável por impulsionar um faturamento de US$ 150 bilhões (levando em conta as 120 empresas e 8 universidades que representa)", explica o chefe executivo Graham Helliwell. Helliwell ressalta que a implementação de novas tecnologias não deve ocorrer em detrimento dos empregos. Segundo ele, a Nimtech está direcionada para transferir tecnologias que permitam aumentar o leque de produtos da empresa em questão, agregar valor a eles e aumentar os número de funcionários envolvidos no processo. "Quanto mais tecnologia o Brasil tiver, maior será seu mercado para exportação", garante Helliwell. O acordo assinado entre estas três empresas promete ser uma via de mão dupla. Da mesma forma que o Brasil terá acesso à tecnologia disponível através da Nimtech, outras empresas em qualquer parte do mundo poderão comprar a tecnologia desenvolvida no País pelo mesmo sistema. "É claro que o Brasil será grande comprador de tecnologia num primeiro momento", diz Trevisan. Ele lamenta que não seja possível esperar o desenvolvimento de tecnologias nacionais, por causa da competição acirrada com os produtos estrangeiros e o custo do investimento em mão-de-obra e pesquisas (cinco vezes maior do que importar uma tecnologia já disponível). "Os países estão se especializando em nichos de interesse", completa Zeno Fontana, representante da Nimtech para a América do Sul. Segundo Fontana, o Brasil tem atualmente condições de exportar tecnologia na área de automação bancária, de transporte a álcool e de beneficiamento dos derivados da soja. E possui também um grande potencial a ser desenvolvido no segmento turístico. O investimento da Trevisan para 1996, de US$ 1 milhão, inclui a instalação de softwares compatíveis com o sistema inglês e a compra de computadores. No segundo ano do projeto, a empresa pretende investir na divulgação do produto e na transferência da tecnologia através de um equipamento de videoconferência fornecido pela Nimtech. Este equipamento será inicialmente instalado no escritório de São Paulo, capital, onde os clientes da Trevisan estão concentrados. Em seguida, a empresa pretende expandir esta facilidade para os demais escritórios do grupo, espalhados do Nordeste ao Sul do País. A aproximação entre o Brasil e a Nimtech deu-se há um ano por intermédio do embaixador brasileiro em Londres, Rubens Barbosa, que se interessou pela idéia inglesa e procurou a Finep - fundação que possui o cadastro das empresas que pedem financiamento para o desenvolvimento de tecnologias.