Notícia

Comércio da Franca

Tecnologia contra desperdício

Publicado em 19 junho 2013

Por Wilson Marini

Uma nova embalagem plástica para o acondicionamento de frutas e hortaliças composta de uma bandeja reciclável e uma base articulada e retornável recebeu no início deste ano um dos principais prêmios internacionais de qualidade e excelência em desenho industrial, o IF Design Award 2013. A notícia interessa especialmente ao setor industrial que fornece embalagens à cadeia de distribuição desse tipo de alimentos. A oscilação da produção decorrente de mudanças climáticas e fatores sazonais torna o segmento altamente competitivo e por isso em permanente busca de redução de custos. Há uma cadeia produtiva cada vez mais articulada que abastece os grandes centros consumidores no Interior Paulista e a região metropolitana de São Paulo. Esses cinturões de hortigranjeiros suprem a demanda em complemento ao fornecimento da chamada agricultura de subsistência e que atua mais localmente.

O desperdício de frutas e hortaliças no Brasil chega a 40%. Se for considerada a fome e a dificuldade de acesso da população aos alimentos, esse dado representa uma aberração. Os governos sabem disso há décadas e pouco têm feito para mudar o quadro. O índice se refere à quantidade de frutas e hortaliças que se perdem durante a manipulação e o transporte, etapas que se seguem à colheita dos produtos. O percentual parece alto, mas não há contestação. É aceito porque a fonte é a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), com base na aplicação de parâmetros universais de avaliação. O Brasil tem um dos maiores índices de desperdício de alimentos no mundo, mas o fenômeno é global.

A inovação premiada é apenas uma das soluções tecnológicas na área de embalagens criadas no país nos últimos anos por empresas e institutos de pesquisa, informa a Fapesp. A lista é extensa e inclui embalagens fabricadas com biopolímeros recicláveis, sistemas de fácil abertura, métodos alternativos de fechamento, filmes plásticos de alta barreira a gases e latas com formatos diferenciados. Em essência, todas visam conferir mais segurança, comodidade e praticidade ao consumidor, além de proteger melhor o produto e minimizar impactos ambientais. O Brasil é hoje o sétimo maior mercado global de embalagens, com receita líquida de R$ 46,1 bilhões em 2012, uma evolução de 30% nos últimos cinco anos.

As informações sobre a tecnologia da nova embalagem constam do número deste mês da revista Pesquisa, da Fundação para o Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A concepção e o projeto foram do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), do Rio, que recebeu a premiação promovida pelo IF Internacional Fórum Design, organização com sede em Hannover, na Alemanha.