Notícia

Jornal do Brasil

Tecnologia com charme e beleza

Publicado em 27 setembro 1996

"O Rio de Janeiro continua sendo a cidade maravilhosa, cantada em prosa e verso e conhecida mundialmente por suas belezas naturais, suas praias, seu carnaval e seu futebol. Mas é necessário ressaltar também o talento do carioca, proporcionado por seu conhecimento", afirma Paulo Maurício Castelo Branco, Secretário Extraordinário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do município. Segundo o secretário, o mais importante instrumento de competitividade de uma cidade são as pessoas que nela habitam, além das instituições que dela fazem parte. Assim sendo, para que haja o desenvolvimento tecnológico é necessário a interligação entre estes dois pólos. É aí que entra a Rede de Tecnologia, uma instituição que congrega cerca de 31 outras instituições que trabalham ligadas à área da pesquisa e desenvolvimento da ciência e da tecnologia. "O principal papel da rede é a difusão do conhecimento que existe nestas instituições, promovendo o casamento entre a demanda e a oferta de tecnologia. A maior demanda está nas empresas e a oferta está nas universidades, nos centros de pesquisas. O que estamos fazendo é o intercâmbio entre ambos, tornando mais fácil o avanço tecnológico em nosso Município", explica o secretário. Visando sempre a um futuro promissor para a cidade do Rio de Janeiro, Paulo Maurício lembra que a área de ciência e tecnologia sempre esteve ligada a ações dos governos federal e estadual. Mas está entre as prioridades do governo do prefeito César Maia. "Ele deixou isso bem claro ao criar esta secretaria extraordinária, ligando o desenvolvimento econômico à ciência e tecnologia", esclarece o secretário. E como está sendo feito este trabalho? Primeiro constituiu-se o um comitê, composto pelas mais importantes instituições da cidade nesta área, como a UFRJ, PUC, UERJ, FINEP, Riosoft, Fundação Fiocruz, Instituto Nacional de Tecnologia, FIRJAN, Associação Comercial e a própria de Rede de Tecnologia. A partir daí, foi traçado um plano de ação, elaborando metas para o desenvolvimento científico e tecnológico da cidade do Rio de Janeiro. Para começar, foram definidos cinco programas principais e cerca de 25 planos de ação. "Sabíamos então o que queríamos fazer. Precisávamos de recursos financeiros e do gerenciamento da implantação destes programas ambiciosos. Além disso, chegamos à conclusão de que era necessário estimular a Rede de Tecnologia, que já existia mas estava desestimulada. Como uma instituição séria e competente, ela poderia fazer o acompanhamento e a fiscalização dos serviços a serem prestados, pois não se pode aplicar dinheiro de olhos fechados. A prefeitura investiu no biênio 1995/1996 cerca de R$ 22 milhões na área de ciência e tecnologia. E os nossos frutos estão aí, gerando resultados", conclui Paulo Castelo Branco. O JORNAL DO BRASIL apresenta nestas duas páginas um resumo de como o município do Rio de Janeiro está sendo beneficiado com a retomada do desenvolvimento econômico, científico e tecnológico. Incluindo a opinião de pessoas ligadas à implantação deste plano de ação. "Um por todos, todos por um", filosofa o secretário Paulo Maurício Castelo Branco. Segundo ele, o sucesso do desenvolvimento econômico, científico e tecnológico do Rio de Janeiro nos três últimos anos se "eleve à união de instituições e cidadãos interessados no progresso da cidade. 'Sem falar no apoio decisivo do prefeito César Maia", exalta O secretário lembra, mais uma vez, que tudo começou após a elaboração do Plano Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro, feito em conjunto com o município, o Estado, as mais diversas instituições e a sociedade civil organizada. O plano estabeleceu entre as tendências marcantes na área da pesquisa desenvolvimento e formação universitária a necessidade do aprofundamento das relações entre universidade e empresa além da maior autonomia universitária com relação ao setor público e a consciência da importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento econômica "A partir daí chegamos à conclusão de que não bastava ao município traçar também um Plano de Ação baseado nas diretrizes do Plano Estratégico da 'Cidade. O grande desafio seria a sua implementação. E a resposta veio rapidamente através da nossa decisão de implementar os projetos e terceirizar as ações através da Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro", explica E a idéia deu certo. O resultado desse trabalho da prefeitura com a parceria das instituições públicas e privadas vem consolidando o posicionamento estratégico da cidade do Rio de Janeiro como o mais importante centro da América do Sul na área de Ciência e da Tecnologia. "Recentemente, a nossa cidade assumiu a coordenação das atividades de ciência e tecnologia da Rede de Cidades do Mercosul (as Mercocidades), cujo tratado de constituição será assinado no dia 10 de novembro próximo, em Assunção, Paraguai", divulga Paulo Maurício. Levando sempre em conta as parcerias, o secretário destaca os cinco mais importantes programas desenvolvidos na sua área: a instalação de incubadoras de empresas de base tecnológica e empresas juniores na UFRJ, na PUC, na Fundação BIO-RIO e no CEFET. "Devemos inaugurar as instalações da incubadora do CEFET, voltada para as áreas de tecnologia e telecomunicações, no final de setembro. As demais já estão funcionando", anuncia. Já o segundo programa, preocupa-se com a implantação do serviço de intercâmbio Universidade/Empresa, em que a Rede de Tecnologia (uma sociedade civil, sem fins lucrativos, que se destina à difusão e apoio tecnológico, articulando a oferta e a demanda de tecnologia no Estado) criou os balcões de tecnologia e as clínicas tecnológicas para atender especialmente às micro e pequenas empresas. "Mais de 200 empresas já foram atendidas através deste programa", lembra o secretário. Na continuidade, o terceiro programa se preocupa com a articulação e integração entre órgãos e instituições financeiras da prefeitura com as universidades e centros de pesquisa do Rio de Janeiro. O objetivo é atrair os centros acadêmicos para a solução de problemas da nossa cidade e a melhora da prestação dos serviços públicos municipais. "Diversas parcerias já foram estabelecidas nos campos da saúde, educação e cultura, meio ambiente, desenvolvimento econômico e outras áreas. Destaco no âmbito deste programa a concessão das bolsas de mestrado e doutorado concedidas pela prefeitura", completa. Em terceiro entra a já citada articulação e integração entre os órgãos e instituições financeiras da prefeitura com as universidades e centros de pesquisa do Rio de Janeiro, com o objetivo de atrair os centros acadêmicos para a solução de problemas da cidade, incluindo aí a melhoria da prestação dos serviços públicos municipais. Em quarto vem a implantação de um amplo programa para a produção e exportação de software no Rio de Janeiro. "A instalação da Riosoft, que é o resultado de uma parceria da prefeitura com a ASSESPRO, o SEBRAE-Rio e o governo federal, foi de fundamental importância para a viabilização desde programa. A Riosoft está operando desde o ano passado no Teleporto e está criando condições para que as empresas cariocas produtoras de software venham a exportar US$ 500 milhões anuais até o final desta década Como ilustração, registro que uma das empresas associadas já viabilizou a exportação de US$ 50 milhões para o mercado chinês", destaca o secretário. Paulo Maurício Castelo Branco lembra ainda que a prefeitura está trabalhando com a Riosoft e com o Plano Estratégico da Cidade para viabilizar a instalação da Fundação Softex-2000 no Teleporto do Rio de Janeiro. Esta instituição traçará diretrizes e estratégias, em nível nacional, do desenvolvimento do software no país. "Estamos desenvolvendo com a Riosoft e o IPLAN-Rio o programa de atendimento ao cidadão, que em síntese permitirá disponibilizar on line ao cidadão carioca informações interativas sobre os serviços públicos municipais. Temos como meta disponibilizar os primeiros quiosques de atendimento, em conjunto com a secretaria de Governo e Administrações Regionais, no mês de outubro deste ano", garante. E os programas não param por aí. Paulo Maurício cita também a criação do Espaço Museu do Universo e a instalação do Museu Dinâmico da Ciência e da Tecnologia no Rio de Janeiro, integrado com o Espaço Vida, na FIOCRUZ, e o Espaço Naval e Oceanográfico, concluído pela Marinha, com o apoio da prefeitura, em janeiro deste ano. "O novo Planetário da Gávea compreenderá a montagem de uma nova cúpula com capacidade para 300 lugares, possuindo um sistema que projeta, através de fibras óticas, fenômenos que ocorrem no universo, além de simular vôos espaciais e dar ao espectador a sensação de estar viajando em uma sonda espacial. Esta cúpula terá o primeiro projetor hemisférico de 70mm da América do Sul e exibirá filmes com temas científicos e educacionais", exalta o secretário. Segundo ele, o Espaço Universo, cuja inauguração está prevista para dezembro próximo, transformará o Rio de Janeiro em um dos pólos mais importantes para a difusão da astronomia e do conhecimento científico da América do Sul. "Estamos prevendo receber cerca de 600 mil pessoas por ano no Planetário, tornando-o um novo ponto de atração e entretenimento na nossa cidade", diz Paulo Maurício. Ainda neste Plano Estratégico, o secretário cita o programa Design Rio. "O IPLAN-Rio lançará em breve o selo Design Rio, premiando e estimulando o designer carioca. Este segmento é de especial importância dentro do programa de qualidade e produtividade na indústria e no setor de serviços, com a expectativa de grande desenvolvimento are o final desta década, aproveitando a competência existente na cidade", conta. E para divulgar esses programas de ciência e tecnologia, a secretaria municipal tem colocado no ar, através da TVE, o programa TV-RIO Tecnologia (quinta-feira, às 20h, com reprise aos domingos, às 10h). "Mostramos a tecnologia de interesse da indústria, abordando assuntos que interessam aos empresários e à mão de obra qualificada, divulgando e unindo a oferta e a demanda", explica o secretário. Paulo Maurício lembra ainda que a Rede de Tecnologia está disponível ao cidadão por telefone, e o programa de TV divulga isso, para qualquer empresário, através do telefone (021) 232-2998 e 242-6204. O secretário faz questão de lembrar das bolsas de estudo em mestrado e doutorado concedidas pela prefeitura do Rio de Janeiro, incentivando a pesquisa sobre temas de interesse da cidade. "O prefeito César Maia instituiu e regulamentou a concessão destas bolsas de estudo, estreitando ainda mais o relacionamento entre as nossas instituições de ensino universitário e o poder público municipal, comprometendo-as ainda mais com o presente e o futuro da nossa cidade", completa o secretário. Segundo ele, no ano passado, a prefeitura liberou uma verba de R$ 2 milhões e 300 mil para tocar estes projetos. Em 96, foram gastos R$ 3 milhões e 300 mil, repassados diretamente para a Rede de Tecnologia. Isso sem computar os investimentos feitos nos desdobramentos destes projetos. O investimento total gira em torno dos US$ 15 milhões de dólares, além destes seis milhões. De olho no futuro, Paulo Maurício lembra que defende arduamente a criação do Parque Tecnológico da Cidade Universitária. "Infelizmente, este projeto ainda não saiu do papel. Esperamos uma definição do conselho da UFRJ. Para nós, ele é uma visão moderna de atração de centro de pesquisas e de empresas voltadas para a tecnologia nas grandes cidades, nos grandes centros urbanos. Hoje, por exemplo, não interessa ao Rio de Janeiro atrair empresas poluentes, ou criar grandes pólos industriais como se criou tempos atrás. Isso hoje está ultrapassado. Quando falamos em empresas atualmente, pensamos em empresas comprometidas com o meio ambiente. E o Parque Tecnológico é' o lugar ideal para isso", sonha. Para o secretário, a proximidade deste parque com' o centro universitário é fundamental. A proposta do projeto é se integrar ao meio ambiente urbano da Ilha do Fundão, gerando desenvolvimento e emprego. Mas, como ressalta o próprio secretário, o sucesso destes projetos é necessária a continuidade administrativa, algo, que segundo ele, deve transcender ideologias políticas. Portanto, têm apoio da cidadania do Rio de Janeiro e devem seguir para os futuros governantes. GERAÇÃO DE EMPREGOS SEM POLUIÇÃO Área de ciência e tecnologia atua como fator de indução para o desenvolvimento econômico da cidade Um fundo de incentivo às empresas Ilan Goldman, diretor executivo da Riosoft, dá grande importância ao programa Venture. "Ele busca alavancar as empresas de informática através de recursos de capital e financiamento de risco. Isso significa que será criado um fundo onde aplicadores poderão comprar cotas e o dinheiro arrecadado será aplicado em empresas emergentes de alta tecnologia, o caso das empresas de software. Esses investidores podem ser públicos, pessoas físicas, fundos de pensão e até bancos internacionais", explica o diretor. Segundo Ilan, a Riosoft já tem dez empresas cadastradas neste programa. "Isso significa que a Riosoft está apoiando estas empresas para que elas possam aplicar suas idéias. Em nível de transação, tanto pode-se perder tudo como se ganhar -muito. Neste caso, o aplicador e o empresário correm o risco juntos. A única diferença é que no caso deste programa, o fundo é aplicado em várias empresas: umas perdem e outras ganham, dando um resultado sempre positivo para o investidor", sentencia. Trocando em miúdos: o fundo tem R$ 2 milhões e investe R$ 200 mil em dez empresas, a partir de dez planos de negócios. Cinco delas falham e têm prejuízo. No caso o fundo perde R$ 1 milhão. Mas as outras cinco ganham cada uma R$ 1 milhão e então o valor que elas arrecadaram supera o que as outras perderam, dando um lucro de R$ 2,5 milhões. Foram investidos R$ 2 milhões e foram ganhos R$ 2,5 milhões. "Com a participação do fundo, é dificílimo se perder dinheiro. A não ser que todas as empresas que receberam investimento apresentem perda, o que é quase impossível", garante Ilan. Segundo Ilan, a Riosoft age no sentido de organizar este fundo e preparar as empresas em seu plano de negócios. "As idéias têm de ser analisadas, tendo a noção exata do marketing a ser lançado e do mercado que ela quer atingir. A Riosoft assessora esta empresa emergente por tempo indeterminado, não só apoiando seu programa, mas dando auxílio administrativo e apoio no treinamento, incluindo cursos de marketing e vendas. Para isso temos uma infra-estrutura que conta com o auxílio da parceria da ASSESPRO (Associação de Empresas de Informática), Prefeitura, SEBRAE/RIO e o CNPq. Portanto, a Riosoft é uma entidade que tem credibilidade", explica Ilan. O diretor garante também que o sucesso da Riosoft independe da mudança de governo, pois seu objetivo é apartidário. O diretor comenta também que a informática tem uma importância estratégica para a cidade do Rio de Janeiro. "Além de grande contribuinte de impostos, este setor tem atividade não poluidora e absorve a mão de obra vinda das universidades. Ainda tem a ver com a vocação da cidade, que é a prestação de serviços. Sem falar que ele exige um investimento baixo. Basicamente, precisa-se de uma boa idéia", resume Ilan Goldman. Segundo ele, a meta da Riosoft é chegar até o final deste ano com o programa Venture dando assistência primeiramente a 30 empresas. "A intenção é criar possibilidades para que estas empresas tenham capacidade e recursos para poder desenvolver seus produtos nas diversas fases, chegando a exportá-los", completa. Neste sentido, para ele, o apoio da prefeitura do Rio de Janeiro está sendo fundamental. Só para ilustrar, o programa Venture da Riosoft foi lançado em julho de 96. Qualquer empresa que tenha um produto na área de informática que possa ser exportado pode se associar à Riosoft. O telefone para contato é (021)515-1800. DIÁLOGO AGILIZA O PROCESSO Como membro do Comitê de Assessoramento de Ciência e Tecnologia da Secretaria Extraordinária de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do município, Geraldo Motta, diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro, está trabalhando para que a sede do programa Softex 2000 se instale no Rio de Janeiro. "Estamos competindo com Santa Catarina. Mas o Rio é um estado de ponta em tecnologia e possui uma boa mão de obra especializada e centros de pesquisa com grande importância para o país. Além disso, o setor nuclear também tem base no Rio de Janeiro. Temos a tecnologia e vamos alcançar e criar oportunidades de emprego, incentivando esta uma linha industrial não poluidora", afirma. Geraldo Motta ressalta também a importância da formação deste comitê de assessoramento, feito em parceria com áreas da ciência e tecnologia do Rio de Janeiro, incluindo universidades, centros de pesquisa, FINEP e associações organizadas, da qual faz parte a Associação Comercial. "Todas elas dialogando abertamente, em conjunto com representantes do Estado e do Município", explica. Outra discussão que surgiu no comitê foi a redução de ISS para os centros de pesquisa. "Hoje em dia uma firma de engenharia paga 5% e um centro de pesquisa 3%", ressalta Geraldo. Segundo ele, a prefeitura tem desempenhado importante papel dentro da política de desenvolvimento do estado, criando, inclusive, o prêmio de Ciência e tecnologia e o programa Rio Design. O diretor vê com bons olhos a criação do Planejamento Estratégico da Cidade, feito em parceria com o governo estadual. "Esse trabalho de ambos em cooperação com a sociedade civil organizada é fundamental para que os objetivos sejam atingidos. É um compromisso que sai do papel e transcende a briga político/partidária. No caso da Associação Comercial, temos um consórcio de mais 50 empresas investindo no desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro. Mesmo que mude o governo, criou-se um compromisso com os cidadãos que moram nesta cidade", exalta. Segundo Geraldo Motta, atualmente existe no Rio uma visão de governo comprometido com a sociedade, que cobrará a continuidade dos projetos iniciados na gestão atual. "Isso parte do movimento da cidadania liderado pelo Rio. Por uma questão de sobrevivência, o carioca criou o chamado Viva Rio, levando a população a brigar por seus direitos, exigindo firmeza dos governos estadual e municipal no cumprimento de seus deveres." explica. Geraldo Motta elogia a atuação da Secretaria Extraordinária de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia. "Por não ter um corpo grande, tornou-se leve e ágil, fazendo com seus projetos saiam do papel com facilidade. O Comitê de Assessoramento, por exemplo, não tem custeio algum, pois é formado por pessoas já remuneradas por suas empresas ou instituições de origem. Ao mesmo tempo, dá ao governo uma interação entre todos os setores da sociedade. Trabalhamos dentro do mais importante conceito de parceria aplicado ao serviço público. Todos ali defendem o seu interesse, mas o interesse visando ao coletivo e não ao segregado", filosofa. O diretor completa ainda que tem um diálogo fácil com a prefeitura. "Chega daquelas sessões de gabinete e da burocracia. A partir do momento em que estamos sentados no mesmo banco, conhecemos nossos desejos e limitações. Isso dá agilidade, e transparência nas ações. É o diálogo fácil, com resposta rápida", elogia. O mais importante deste tipo de trabalho em conjunto, segundo Geraldo Motta, é o trabalho que gera resultado a curto e longo prazo. "Estamos no final de mandato, mas o Planejamento Estratégico transcenderá essa possível mudança governamental", garante. PROFISSIONAIS DE ALTO NÍVEL O que são as Incubadoras de Base Tecnológica? São áreas (galpões) criadas dentro das universidades onde se forma o pesquisador/empresário. "É voltada para o profissional de alta qualificação que, muitas vezes, sai de uma universidade e não encontra lugar no mercado de trabalho. Assim, este projeto dá a oportunidade a esta pessoa de se tornar um pequeno empresário e, quem sabe mais tarde, um grande empresário. Trata-se de uma experiência que tem dado resultado no exterior", exalta o secretário. No Rio de Janeiro, a prefeitura construiu um galpão na Ilha do Fundão, onde funciona a UFRJ, com espaço para abrigar os pesquisadores vindos da universidade que já têm um produto que esteja produzindo. Ali ele pode se incubar, crescer e ir mais adiante. Esse pequeno empresário tem ajuda financeira e administrativa, criando intercâmbio de experiências. Ele tem o tempo de cinco anos para se desenvolver no local. "Este projeto foi inaugurado em agosto e já é um sucesso. Já estamos pensando em ampliá-lo. A outra incubadora, a ser inaugurada agora em outubro, é no CEFET/RIO, que fica no Maracanã. Vai abrigar empresas juniores, formadas por estudantes na fase de graduação ou pós-graduação, que já têm um produto. São os chamados prestadores de serviços. São ligados à área de telecomunicação e informática. Já no Fundão, temos empresários variados", explica. O secretário lembra ainda que a prefeitura apóa também as incubadoras da PUC/Rio, ligada ao setor de software e multimídia, e da Fundação Bio/Rio. Sem falar no projeto em conjunto com a UERJ da criação de um Centro de Design. SOFTEX Este é o Programa Nacional de Software para Exportação. A Softex 2000 é um projeto do governo brasileiro, conduzido pelo CNPq. O Objetivo do Softex é fomentar a indústria brasileira de software, de forma que as empresas brasileiras tenham 1% do mercado mundial de software, gerando 50 mil empregos até o ano 2.000. O projeto tem previsão de durar quatro anos e em fevereiro de 1997 o governo entregará o programa à iniciativa privada. A Riosoft é a participação do Rio de Janeiro neste projeto. PARCERIA É À GRANDE SOLUÇÃO O professor Paulo Alcântara Gomes, reitor da UFRJ e presidente da Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro, garante que a saída para o desenvolvimento tecnológico, não só da cidade, mas também do Estado, está na parceria empresa/instituições. "Neste sentido, a participação da Rede é fundamental. Ela é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo principal articular relações entre a oferta e a demanda de tecnologia. A tecnologia é oferecida pelas universidades, instituições de pesquisa e, evidentemente, é comandada pelo seguimento empresarial, notadamente pelas pequenas e médias empresas", define. Ou seja: a Rede serve de elo entre os vários setores, orientando-os para o desenvolvimento do setor produtivo do Estado. Para atingir sua finalidade, ela conta com o apoio de 34 organizações representadas pelas universidades, instituições de produção tecnológica e entidades representativas do setor produtivo, além de instituições de pesquisa. Inclui-se aí o seguimento governamental, como a secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico, agências de fomento, como a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e BNDES, além de entidades, como a FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do RJ), e a Associação Comercial do Rio de Janeiro e também o SEBRAE/RJ (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio de Janeiro). E quais os serviços prestados por esta Rede? "Ela abranje desde o planejamento da ciência e tecnologia da cidade do Rio de Janeiro até informações aos empresários sobre incentivos fiscais e aplicação de recursos em ciências e na nova tecnologia", explica Paulo Gomes. Para isso, foi criado o chamado "balcão de tecnologia", um serviço de intercâmbio universidade/ empresa, visando a informar aos empresários sobre as potencialidades e possibilidades originais encontradas no Rio. Como funciona esta idéia? O empresário com dúvida ou problema relacionados a seu produto ou processo produtivo, procura a Rede, que identifica entre seus associados a instituição indicada para ajudá-lo. Ela também orienta o empresário na obtenção de apoio financeiro junto às entidades. "Neste sentido, a chamada parceria está dando excelente resultado, servindo de modelo para países da União Européia. Além disso, a Rede está servindo de instrumento entre os países do Mercosul. Nosso objetivo é extremamente definido e positivo", encerra Paulo Gomes.