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Tecnologia brasileira permite criação de roupa repelente e que evita odor

Publicado em 01 abril 2019

Uma nanotecnologia desenvolvida para tecidos promete controlar o calor, o odor e repelir insetos. Tudo em uma mesma roupa ou em peças separadas. Além disso, os materiais utilizados no produto são totalmente nacionais, não provocam impacto ambiental nem causam alergia. A novidade tecnológica é uma criação da empresa paulista Nanox, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e está em fase de testes. A previsão é de que comece a ser comercializada ainda neste ano.

A ideia surgiu devido à grande demanda nacional por tecidos com tecnologia acoplada. O material brasileiro nanotecnológico (em escala equivalente à bilionésima parte do metro) é composto por três soluções — refletivo solar, antimosquito e antiodor —, que podem ser aplicadas em qualquer base de tecido, como roupas de cama, vestuário, tendas, colchões e carpetes. As utilidades podem ser incorporadas individualmente ou em conjunto, conforme a escolha da indústria têxtil que as adquirir. Hoje, a maioria das opções com essas propriedades, além de importada, as oferece separadamente.

O processo de integração das nanopartículas ao tecido é o mesmo para as três propriedades, apesar das funções distintas. O aditivo antimosquito age de três maneiras. É repelente, liberando inseticidas e mantendo os insetos afastados do tecido. Provoca também o efeito patas quentes, que aquece os pontos de contato entre o mosquito e o tecido. Por último, há o efeito paralisante, que imobiliza o inseto se o contato persistir.

O aditivo antiodor tem propriedades bactericida, antimicrobiana e autoesterilizante. Ao serem incorporadas às fibras de tecidos, essas nanopartículas eliminam a ação de micro-organismos como bactérias, fungos e ácaros, o que permite a inibição do mau cheiro e evita o amarelamento da peça.

Já o aditivo refletivo solar é um produto inédito no mercado. Ele funciona como um microespelho, refletindo a radiação solar que incide sobre o tecido. Esse efeito é imperceptível aos olhos humanos e controla o calor das roupas, pois dispõe de proteção UV.

Segundo Juan P. Hinestroza, professor de ciência de fibras na Universidade de Cornell em Nova York, aditivos antimosquito e antiodor são utilizados por indústrias têxteis no mundo inteiro. Por outro lado, o refletivo solar é uma novidade até para o mercado internacional. “Eu gosto da ideia de usar a nanotecnologia como uma ferramenta para refletir a radiação solar nos tecidos. É bem interessante e inovador”, avalia.

Resistência a lavagens

Segundo Guilherme Carvalho, químico, físico e coordenador do projeto, o diferencial dessa nanotecnologia é o pronto atendimento às demandas do mercado nacional. Em particular, ressalta ele, as nanopartículas antimicrobianas apresentam maior resistência à lavagem, à temperatura e à abrasão, em comparação a outros produtos químicos convencionais. “Por ser um material nanotecnológico de alta eficiência, ele traz vantagens como a concentração de uso muito menor, o que reduz drasticamente o impacto ao meio ambiente”, acrescenta.

Professora de engenharia têxtil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Késia de Oliveira ressalta que o uso de nanotecnologia na indústria têxtil está em fase de consolidação no Brasil. “A cada dia, as indústrias estão vendo a necessidade de se implementar novas tecnologias ou se reinventar em processos criativos e produtivos que utilizam a nanotecnologia”, explica.

Além de agregar valor ao produto final, o investimento permite, por exemplo, acabamentos funcionais e melhor duração do produto. Além disso, gera oportunidades de negócios, reduz os custos e oferece tecnologias mais eficazes e amigáveis ao meio ambiente. “A nanotecnologia é excitante e desperta muitas pesquisas desafiadoras. Ela vai nos impactar mais ainda no futuro”, aposta Késia de Oliveira.