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Tecnologia brasileira é usada em vários países no tratamento de pacientes com COVID-19

Publicado em 24 julho 2020

Por dbdfmusp

Com apoio da Fapesp, equipamento desenvolvido por startup é utilizado quando a enfermidade atinge estado grave

O tomógrafo por impedância elétrica (TIE), desenvolvido pela startup Timpel com apoio do Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), tem sido utilizado em diversos países no tratamento de pacientes com COVID-19 em estado grave.

O equipamento permite que as equipes médicas avaliem ininterruptamente e de forma não invasiva, à beira do leito, a condição do pulmão dos pacientes com insuficiência respiratória. Dessa forma, é possível otimizar a ventilação artificial para diminuir o tempo de dependência e, consequentemente, os efeitos colaterais da intubação.

Inicialmente, o equipamento foi projetado para monitorar pacientes que precisam de ventilação artificial em unidades de terapia intensiva (UTIs), independentemente da doença.

Com a pandemia do novo coronavírus, os pesquisadores da empresa começaram a adaptar a tecnologia para auxiliar equipes médicas no tratamento de pacientes em estado grave por meio de um projeto selecionado em um edital lançado pelo Pipe-Fapesp, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Conhecimento

A ação apoia o desenvolvimento de produtos, serviços ou processos criados por startups e pequenas empresas de base tecnológica no estado, voltados ao combate da COVID-19.

“A ideia é usar, inclusive, o conhecimento acumulado por médicos que atuaram no atendimento de pacientes com COVID-19 na Europa, em países como a Itália e a Espanha, onde o pico dos casos da doença já foi atingido, e também nos Estados Unidos e no Brasil, onde os casos continuam crescendo, para aprimorar o equipamento de forma que seu uso seja ainda mais direcionado e intuitivo”, diz Rafael Holzhacker, presidente da empresa, ao Boletim Pesquisa para Inovação.

O aparelho faz a avaliação da resistência à passagem de uma corrente elétrica (a impedância), que varia substancialmente devido ao ar nos pulmões, na medida em que o paciente inspira e expira.

Por meio de uma cinta com 32 eletrodos, o tomógrafo emite uma corrente elétrica de baixa intensidade ao redor do tórax do paciente – similar à corrente elétrica utilizada em exames de eletrocardiograma.

À medida que atravessa o tórax e encontra diferentes resistências no percurso, a corrente elétrica indica a região dos pulmões por onde o ar está circulando. Com base na impedância medida na superfície do tórax são geradas 50 imagens por segundo, que representam a distribuição e a dinâmica de insuflação do pulmão, fornecendo uma informação vital ao médico, em tempo real, à beira do leito.

Fonte: Governo do Estado de São Paulo