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Tecnologia avança sem diminuir miséria no BR

Publicado em 19 julho 2005

Entre avanços científicos e tecnológicos, o primeiro, ao longo da história, sempre oferece os fundamentos para o segundo. Depois é que existe a chamada retroalimentação. Teria sido assim sempre, desde os gregos, passando pelos romanos e chegando até hoje. As nações que conseguiram sobrepor essas duas questões acabaram oferecendo mais bem-estar para suas populações.
"Nos países em desenvolvimento, a ciência e a tecnologia apresentam uma sobreposição baixa", explica Paulo Emílio Miranda, do Laboratório de Hidrogênio do Centro para Estudos Graduados em Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O pesquisador participou de uma mesa-redonda durante a 57ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Fortaleza, nesta segunda-feira (18/07), que discutiu os riscos da chamada governança em C&T.
Uma das principais conseqüências desse pequeno sombreamento é que o Brasil acaba gastando mais pelos bens imateriais. Ou seja, vende matéria-prima sempre mais barata para o exterior e acaba pagando mais para importar o produto pronto. A segunda questão, e talvez a mais delicada, é que a população não tem o grau de bem-estar que é verificado nos países em que a ciência anda junto com a tecnologia.
"É nítida essa relação entre C&T e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)", afirma Miranda, que fez essa análise especialmente para sua exposição na capital do Ceará. "Cabe ao Brasil continuar crescendo em C&T e ao mesmo tempo melhorar seus índices sociais. Se de um lado temos o desenvolvimento tecnológico, temos também o tecido social esgarçado".
Para resolver o paradoxo do bem-estar, Miranda oferece dois caminhos, em tese bastante simples. "Educação em todos os níveis é a principal solução", é o primeiro. Outro ponto importante é ter sempre em mente "que ciência e arte são perenes, enquanto tecnologia ou é trivial ou é ultrapassada." 

Agência Fapesp