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Tecnologia ajuda a identificar adulterações na carne

Publicado em 12 abril 2017

A recente operação deflagrada pela Polícia Federal levanta a questão da necessidade de novas tecnologias que auxiliem empresas e consumidores a identificar adulterações na carne consumida. A FIT – Fine Instrument Technology, empresa brasileira especializada em soluções que utilizem ressonância magnética, já desenvolve há algum tempo equipamentos capazes de auxiliar nessa identificação.

O SpecFIT, desenvolvido com o apoio financeiro da Finep e do Desenvolve SP, é semelhante ao equipamento de ressonância utilizado em ambiente hospitalar, porém, adaptado às necessidades das análises dos alimentos. O diferencial, além do tamanho bem menor, está nos métodos de análises incorporados aos softwares do equipamento, sendo alguns deles desenvolvidos em parceria com a Embrapa.

Esses softwares retornam dados precisos sobre a qualidade e composição dos produtos, podendo estes serem in natura ou industrializados, sem sofrerem qualquer tipo de dano e algumas vezes dentro da própria embalagem.

“No que se refere à carne, aqui no Brasil essa tecnologia é usada pela Embrapa, que já utilizou RMN para identificação da raça e sexo do gado, medida de suculência, perda durante o cozimento, teor de gordura e teor de umidade, sendo este último item um dos principais parâmetros para medir se a carne está fresca ou não”, disse em nota o físico e sócio da FIT, Daniel Consalter.

“Recentemente, o Laboratório Nacional Agropecuário de Minas Gerais (Lanagro/MG), do Ministério da Agricultura, também adquiriu o equipamento. Lá é usado para identificar possíveis fraudes e adulterações em produtos agrícolas”, comentou.

No início de março, essa tecnologia foi abordada nos Estados Unidos durante um congresso sobre ressonância magnética.

Consalter explicou que, lá, um grupo da Dinamarca usou um equipamento semelhante ao SpecFIT para medir a capacidade de retenção de água em carne suína. O grupo ainda relacionou a análise usando RMN com o tempo do abatimento do suíno, ou seja, a frescura da carne. "O teste pode ser repetido na carne bovina, e o ácido ascórbico não interfere. Devido aos resultados já obtidos com RMN, essa tecnologia pode sim ser usada para detectar adulteração na carne”, garantiu o especialista.

Ainda de acordo com o físico, uma utilização importante desse equipamento poderá ser feita pelos supermercados, que poderão verificar, de forma rápida e eficaz, a qualidade dos produtos de seus fornecedores.

“A utilização de RMN pode analisar, por exemplo, além da qualidade das carnes, pureza de azeites, quantidade de açúcares em frutas e sucos, entre muitas outras aplicações possíveis que estão em desenvolvimento, como autenticidade do salmão, a origem de vinhos e pureza do leite”, explicou.

Mesmo o foco atual sendo o setor de alimentos, Consalter afirmou que o potencial dessa nova tecnologia desenvolvida pela FIT é infinito. O primeiro equipamento foi vendido para o Laboratório de Tecnologia de Engenharia de Poços da Coppe, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nesse caso, a tecnologia foi direcionada para exploração de petróleo, com uso da ressonância na análise da porosidade de rochas em regiões promissoras.

A Fine Instrument Technology (FIT), além de única fabricante de equipamentos de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) com tecnologia nacional, é uma empresa de pesquisa, desenvolvimento e inovação que desenvolve equipamentos e soluções utilizando RMN. Situada em São Carlos (SP), possui uma equipe formada por físicos, químicos, engenheiros, técnicos e cientistas de computação altamente qualificados. A empresa possui estreitas relações com os grupos de RMN da Embrapa Instrumentação e com a Universidade de São Paulo (USP) por meio do CIERMag (Centro de Imagens e Espectroscopia in vivo via Ressonância Magnética). Tais parcerias somam-se à equipe de P&D da FIT garantindo soluções inovadoras e de alta tecnologia e qualidade, com aplicações em diversas áreas como alimentos, industrial, médica e instrumentação científica. A FIT recebeu apoio financeiro da Finep, Fapesp e CNPQ e graças aos esforços de sua equipe e destes organismos de fomento, o Brasil entrou em um seleto grupo de países que detêm a tecnologia RMN.

Mais informações: www.fitinstrument.com