Notícia

Gazeta Mercantil

TECNOLOGIA AJUDA A ENFRENTAR OS NOVOS DESAFIOS NA CONSTRUÇÃO

Publicado em 26 outubro 1995

Por POR ANDRÉA LICHT DE MORAES DE SÃO PAULO
Erguer um edifício de quarenta andares em cima de um prédio centenário tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional e em cujo subsolo cruzam linhas de metrô ou construir uma torre de escritórios na Cidade do México, constantemente ameaçada por terremotos, é um desafio para os engenheiros da construção civil. A alta tecnologia, utilizada especialmente em prédios inteligentes, não se traduz apenas pela sedutora idéia de modernidade, mas pode facilitar o trabalho da construção. O engenheiro Ysrael Seinuk, que participou ontem, em São Paulo, da Conferência sobre Prédios de Alta Tecnologia, que está sendo realizada no Hotel Maksoud Plaza, encontrou soluções estruturais para construir dois prédios em terrenos com características peculiares. Para concretizar o projeto do edifício da avenida Lexington, em Nova York, sem abalar a estrutura do antigo prédio dos correios, foi necessário escavar o subsolo manualmente para a colocação das quatro colunas de sustentação do edifício. Na maioria dos casos, a solução mais comum é a das explosões. "A obra foi realizada sem interromper o funcionamento da estação de metrô (movimento diário de 1 milhão de passageiros), cujos trilhos passam abaixo do prédio dos Correios", afirmou Seinuk. No México, o projeto de Seinuk exigiu muita criatividade. Para que a Chapultepec Tower suportasse as pressões dos ventos e absorvesse os choques causados pelos terremotos foram instalados diversos amortecedores na base da estrutura. Além dos estudos de viabilidade, os prédios inteligentes exibem coletâneas de tecnologias, com objetivo de economizar energia, custos e tempo. A Philips, que atua no setor de iluminação, tem desenvolvido produtos para atender essa demanda, como sistemas de iluminação com dispositivos de controle e luminárias adequadas às necessidades de cada ambiente. A Otis, fabricante de elevadores, que tem como desafio aplicar toda a tecnologia disponível para a maximização do desempenho, desenvolveu o elevador "double deck", que pára em dois andares simultaneamente. Prédios inteligentes e com tecnologia de ponta envolvem também pesquisa de materiais a serem utilizados na construção. A Alcoa Alumínio, além de comercializar 60% de perfis de alumínio para a construção civil - o restante vai para a indústria automobilística e de bens de consumo - está implantando um composto de alumínio, denominado Reynobond, para uso em revestimentos de fachadas e interiores. Com propriedades específicas como leveza (um terço do peso do aço), resistência mecânica, estabilidade dimensional e resistência a agressões atmosféricas, o alumínio ainda ocupa uma pequena parcela do mercado brasileiro, sendo só 10% destinado às construções populares, segundo Ivan Firmino da Silva, gerente de desenvolvimento comercial em construção civil da Alcoa. No Brasil, o consumo per capita é de 3 quilos por habitante por ano e nos Estados Unidos esse número varia entre 20 e 25 quilos. MUDANÇAS NOS ESCRITÓRIOS Nos próximos anos, a forma tradicional de organização dos escritórios deverá cair por terra. A tendência é que a mesa individual, a sala do diretor ou a cadeira da secretária deixem de existir para dar lugar a espaços compartilhados como salas de reuniões e mesas coletivas de trabalho, acompanhados por telefonia e arquivos móveis, sinalizando com isso o grau de interação da organização e de autonomia de seus funcionários. De acordo com o inglês Andrew Laing, diretor de pesquisas da DEGW, especializada em projetos de pesquisa para escritórios, do início do século até hoje pouca coisa mudou na concepção do espaço de trabalho e as pessoas continuam sendo vistas como unidades. "Algumas empresas estão repensando o seu trabalho e procurando ser menos hierárquicas", afirma Laing. Dados de pesquisas da DEGW demonstram que as mesas individuais dos executivos das empresas ficam desocupadas entre 40 e 70% do tempo. Enquanto isso, estes profissionais estão em reuniões, visitando clientes, trabalhando em casa ou em viagem. "Portanto, o antigo padrão está desatualizado", garante Laing. O que está surgindo é um padrão mais complexo, onde ninguém é dono de espaço nenhum. "Um espaço exclusivo para uma pessoa é uma realidade divorciada do futuro", garante o inglês.