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Tecnologia ajuda a desvendar os "códigos" de Leonardo da Vinci

Publicado em 06 dezembro 2006

Técnicas baseadas no uso de laser, cintilografia e estratigrafia são usadas para desvendar e descobrir afrescos do gênio renascentistas.
Graças às novas tecnologias e à dedicação de cientistas de diversas áreas, obras de mestres como Leonardo da Vinci (1452-1519) continuam a ser descobertas e a revelar novas dimensões artísticas e novos sentidos históricos. No entanto, o movimento interdisciplinar que toma conta da Europa, aliando ciência e estética para revelar o patrimônio artístico oculto, vai no sentido contrário do best-seller Código da Vinci, do norte-americano Dan Brown.
Segundo o professor Luiz Roberto Alves, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e da Universidade Metodista, estudos recentes mostram que as obras de Da Vinci, em vez de ocultarem códigos secretos, revelam os fundamentos de toda a obra do gênio do Renascimento, trazendo à tona seu conhecimento e discurso sobre o real. "A ciência revela a arte que está oculta por trás das camadas históricas e não menções a fatos históricos ocultos por trás da arte", disse à Agência FAPESP.
Alves é atualmente pesquisador visitante da Universidade de Florença, na Itália, onde tem participado de encontros científicos sobre a relação entre ciência e arte. Ele tem acompanhado o trabalho do italiano Maurizio Seracini, o único pesquisador vivo mencionado na obra de Brown. "O Código da Vinci é visto aqui como uma profunda mistificação. Predomina a idéia de que os produtores geniais não são criadores de códigos, mas reveladores de códigos", afirmou.
Um exemplo do trabalho da equipe de Seracini, segundo Alves, é a possível descoberta de um afresco de Da Vinci, que estaria oculto há mais de 500 anos por trás da pintura Batalha de Marciano, de Giorgio Vasari, no Palazzo Vecchio, em Florença.
"Os cientistas estão usando radar e fazendo um estudo termográfico da parede para encontrar o lugar adequado em que possa ser introduzida uma sonda com fibra endoscópica, a quatro centímetros de profundidade. Com isso, espera-se que a obra original venha à tona", explica Alves.
*Com informações da Agência Fapesp