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Técnica prolonga vida da uva

Publicado em 30 janeiro 2008

Dois anos de trabalho envolvendo pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e Instituto de Economia Agrícola (IEA) resultaram em técnicas que vão ajudar produtores de uva tipo niagara a reduzir perdas, aumentar o tempo de comercialização da fruta, ampliar mercados e lucros. Com safra concentrada entre novembro e fevereiro, a uva é abundante no final do ano e tem preços baixos. Isso é bom para o consumidor, que paga barato e enche a mesa da ceia de Natal, mas é ruim para os produtores.

São Paulo é o maior produtor nacional de uvas de mesa, como a niagara, itália e outras. Dos 13 mil hectares plantados no Estado, 8,7 mil de hectares são de niagara. A produção é de 125 mil toneladas por ano, sendo que cerca de 20% se perde com a queda dos frutos do cacho e podridão. Da colheita até o momento da venda, a média é de três a cinco dias de prazo.

Com as técnicas avaliadas na pesquisa, aplicadas em conjunto, a conservação dura até 28 dias. Isso permite que o produtor possa segurar por mais tempo a venda e buscar mercados mais distantes, como outros estados e países, com a garantia de que a uva chegará mantida a sua qualidade.

A pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimentos Científico e Tecnológico (CNPq) buscou as melhores técnicas para evitar perdas e deterioração do produto desde o início da produção até ele chegar nas mãos do consumidor. Maurilo Monteiro Terra, pesquisador do IAC, foi o coordenador do projeto e responsável pelos experimentos feitos diretamente no campo.

O Grupo de Engenharia e Pós-colheita do Ital pesquisou as melhores maneiras de conservação, transporte e armazenamento da uva da colheita até o consumidor. O IEA calculou os custos das técnicas aplicadas e a sua viabilidade econômica para os produtores.

Maurilo fez experiências junto com produtores utilizando a aplicação de duas substâncias nas plantações, cloreto de cálcio e ácido naftalenoacético. O cloreto é um nutriente que deixa a planta mais forte e resistente. O ácido é um regulador vegetal sintético, que inibe a queda dos frutos.

Na pesquisa, foram pesquisados cerca de 400 cachos, divididos em lotes. Em cada um foram aplicadas diferentes doses de cloreto e de ácido e em períodos distintos. Após o término do período produtivos, os cachos foram colhidos e avaliados aspectos visuais, qualidade e durabilidade.

A dose ideal de cloreto avaliada na pesquisa foi de 10 gramas por litro, sendo borrifado diretamente no cacho 30 dias antes da colheita. A aplicação do ácido é feita da mesma maneira, mas apenas um dias antes da colheita e com uma quantidade de 100 miligramas por litro. Essa quantidade de ácido, entretanto, ainda não é definida como a ideal.

O pesquisador está solicitando mais verba da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para continuar os teste com o ácido.

"A dose de cloreto já foi definida como a ideal, mas a do ácido ainda precisa ser testada. Sabemos que a dose atual funciona, mas ela pode ter os mesmos resultados com menor quantidade ou até melhores com maior quantidade", diz Terra.

As pesquisas de campo foram testadas em três diferentes regiões, Jundiaí, São Miguel Arcanjo e Jales, onde a produção é colhida na metade do ano e alcança melhores preços. Essas técnicas estão sendo utilizadas por produtores com bons resultados.