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Técnica brasileira usa pele de tilápia para reconstituir dedos de crianças

Publicado em 08 novembro 2021

Pedaços de pele de tilápia estão sendo utilizados em uma técnica cirúrgica inovadora que corrige a fusão de dedos de crianças portadoras da chamada síndrome de Apert, que acomete um a cada 70 mil nascidos no mundo.

O método está sendo testado a partir de uma parceria entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Hospital Sobrapar, de Campinas, no interior de São Paulo.

De acordo com o portal Uol, não há números de incidência da síndrome de Apert no Brasil porque a notificação da doença não é compulsória. A doença é genética e caracterizada pela má formação na face, crânio, mãos e pés. Os ossos do crânio fecham-se precocemente, não deixando espaço para que o cérebro se desenvolva, causando uma pressão excessiva sobre ele. Além disso, os ossos das mãos e dos pés são colados.

A reportagem, com informações da Agência [revista Pesquisa] Fapesp, sinaliza que os pedaços de pele de tilápia foram utilizados nos procedimentos a fim de melhorar o processo de reconstituição dos dedos e otimizar a recuperação dos pacientes. As primeiras cirurgias ocorreram em setembro deste ano.

O cirurgião plástico Edmar Maciel, presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ), de Fortaleza, e coordenador-geral da pesquisa afirma que houve redução no tempo da cirurgia, menor morbidade do tecido enxertado e melhor pega (ou aderência) do enxerto de pele humana na região em que os dedos são separados.

O uso do biomaterial também diminuiu em 50% o número de curativos, causou alívio nas dores do pós-operatório e baixou os custos do tratamento, traz a matéria.

Maciel é coautor de quatro pedidos de patente relacionados ao preparo de peles de tilápia para uso médico, entre eles o tratamento de queimaduras e ferimentos e procedimentos cirúrgicos ginecológicos.