Notícia

Diário de Guarulhos

"Teatro na tragédia" e "Alerta ambiental", os editoriais do DG

Publicado em 07 junho 2009

É inacreditável. A FAB admitiu nesta sexta-feira (5) que nenhum dos objetos que localizou no mar até agora pertencem ao Airbus da Air France desaparecido no domingo.

Isto significa que a tragédia que ceifou 228 vidas sobre o Atlântico permanece oficialmente sem confirmação e sem explicação. O que tem a dizer o ministro da Defesa, Nélson Jobim?

É o mesmo que, dois dias antes, havia montado uma longa entrevista coletiva, na qual, com a eloquência e arrogância habituais, anunciara ao mundo, em primeira mão, a "descoberta" do que seriam os destroços do avião.

A longa mancha de óleo descoberta na área entre os arquipélagos de São Pedro e São Paulo e Fernando de Noronha, diz a FAB agora, foi produzido por navios, e não pelo jato do fatídico voo AF 447. Na terça, o ministro havia dito que a mancha indicaria o provável o local do desastre.

Ora, se a mancha não foi produzida pelo avião, volta ao topo da lista a hipótese de que o aparelho tenha explodido no ar - e, portanto, que tenha sido vítima de um atentado terrorista.

Será que o ministro tinha a noção das implicações de suas palavras? Como explicar que a máxima autoridade de segurança nacional tenha sido obrigado a engoli-las um dia depois de tê-las pronunciado, e desmentido pelos subordinados? Na verdade, há sim, uma possível explicação.

Na ânsia de mostrar serviço e apresentar-se como operoso senhor da defesa nacional, o ministro não quis perder a oportunidade de adiantar-se aos serviços de investigação da França e dos Estados Unidos, ocupar a cena internacional e dar, antes de todos, as respostas sobre desastre.

Não é a primeira vez que a hiperatividade de Jobim o leva a queimar a língua. Mas, desta vez, sua imprudência foi longe demais.

As 228 famílias enlutadas de dezenas de países mereciam, no mínimo, serem poupadas desse lamentável teatro de exibicionismo e improvisação.

Editorial 2

Alerta ambiental

Estudo inédito da UnG revela radiografia do uso do solo em Guarulhos

O estudo elaborado pelo Laboratório de Geoprocessamento do curso de Mestrado em Análise Geoambiental da UnG (Universidade Guarulhos), apresentado nesta sexta-feira (5) na Câmara, sobre o uso do solo no município, pode servir de orientação para as ações relacionadas ao meio ambiente.

Como era de se esperar, uma das curiosidades em destaque é o forte contraste entre as regiões sul e norte da cidade. A parte sul, onde fica o Aeroporto Internacional de Guarulhos, na região de Cumbica, representa uma mancha densamente ocupada, enquanto a parte norte, notadamente Cabuçu e Tanque Grande, ainda preserva uma intensa cobertura vegetal.

O grande desafio das autoridades está não só na elaboração como na execução de uma política voltada à ocupação ordenada do solo. Este é uma das mais sérias questões urbanas contemporâneas, uma espécie de herança maldita de anos de descuido e irresponsabilidade.

A UnG conta com a parceria da Secretaria do Meio Ambiente de Guarulhos e tem o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) no desenvolvimento desse projeto. Uma das metas é a criação de outros 22 mapas, que servirão como base para a elaboração do Atlas Geoambiental de Guarulhos, conforme explicou o coordenador do trabalho, o professor Antônio Manoel dos Santos Oliveira.

A partir de imagens de satélite, captadas em março de 2007, produziu-se o mapa que detalha o uso e a ocupação atual do solo que pode ser importante ferramenta para o planejamento da cidade.

De acordo com professor, é possível identificar 26 classes de uso de solo, como residencial, industrial, cobertura arbórea, cobertura vegetal rasteira e de mineração, entre outras. Ele adverte para os riscos representados pela ocupação irregular do solo, caso a expansão não seja contida, especialmente na região norte.

Cabe à Prefeitura fazer do estudo o melhor proveito.