Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Tanque do Discovery é aprovado em testes

Publicado em 15 abril 2005

A agência espacial americana (Nasa) completou na quinta-feira um teste crítico de um tanque de combustível totalmente redesenhado. O ônibus espacial Discovery foi colocado na plataforma de lançamento, no Centro Espacial Keneddy, quase pronto para a primeira missão tripulada americana desde a explosão do Columbia, em fevereiro de 2003. A partida deve ocorrer entre 15 de maio e 3 de junho.
O objetivo do teste, que aconteceu no mesmo dia da posse do novo administrador da Nasa, Michael Griffin, era verificar equipamentos e procedimentos usados no abastecimento do tanque com oxigênio líquido supergelado e hidrogênio líquido. Os propelentes alimentam os três motores principais do ônibus espacial.
O restante do impulso é fornecido por dois foguetes, que não participaram dos testes, ordenados pela Nasa para checagem de diversas mudanças do tanque de combustível, depois do acidente com o Columbia.
Os gerentes atrasaram o início dos testes por três horas, para avaliar a previsão do tempo, que indicava possíveis trovoadas e chuva. "Em alguns aspectos, o tempo é mais importante para o teste do tanque do que para o lançamento em si, porque o ônibus tem que ficar parado na plataforma, sem proteção, por 24 horas", explicou o porta-voz Kyle Herring.
As previsões, no entanto, mostraram-se menos ameaçadoras do que o esperado e, às 8h15 (horário local), os técnicos começaram a resfriar os 1,9 milhões de litros de combustível que seriam bombeados para o tanque. Grande parte da atenção foi dirigida ao desempenho dos aquecedores elétricos usados para evitar a formação de gelo na parte externa do tanque.

Aquecedores
O tanque do Discovery não tem mais os pedaços de material isolante usados nos pontos de conexão do tanque com a nave propriamente dita. Esses componentes foram substituídos pelos aquecedores.
Um pedaço de isolante de 750 gramas, do tamanho de uma pasta, foi o responsável pelo acidente do Columbia. O material se soltou durante o lançamento e abriu um buraco na asa esquerda. Durante a reentrada na atmosfera terrestre, 16 dias depois, o ônibus não resistiu e explodiu no ar, matando os sete tripulantes.
Lua tem "sol da meia-noite"
Nem mesmo toda a criatividade do escritor Júlio Verne (1828-1905), em sua obra "Da Terra à Lua", conseguiu imaginar que o satélite terrestre, então habitado pelos humanos, tinha uma espécie de Sol da meia-noite. Um mapa sobre a quantidade de luz que chega ao Pólo Norte lunar, feito por cientistas americanos e publicado na última edição da revista "Nature", revela que isso existe, pelo menos no verão.
O artigo, assinado por Ben Bussey, da Universidade John Hopkins (EUA) e quatro colaboradores, mostra que as regiões sempre iluminadas pelo Sol durante o verão estão próximas à cratera Pear, terceira maior do pólo lunar. Ela tem 73 km de diâmetro e está ao lado da Hermite e Rozhdestvensky.
O fato de a iluminação ser constante no Pólo Norte do satélite, segundo os cientistas, tem uma interferência direta na temperatura da região. Os cálculos feitos mostram que os termômetros variam de 50 graus Celsius negativos até 10 graus positivos. Isso é bem diferente do que ocorre na região equatorial da Lua, por exemplo. Lá, a variação vai de 180 graus negativos a 100 graus acima de zero.
Os dados disponíveis para a montagem do mapa foram obtidos a partir da espaçonave Clementine, que orbitou a Lua durante 71 dias em 1994. Foram analisadas 53 imagens feita pelo equipamento, durante o verão, com uma resolução espacial de 500 metros por pixel. (Agência Fapesp)