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Livre Mercado

TAM e Embraer na Alta Mogiana

Publicado em 01 julho 2000

Quem acompanha a economia brasileira sabe das qualidades empreendedoras do presidente da TAM, o comandante Rolim Amaro. Transformou uma modesta empresa de táxi aéreo, fundada em 1961, na maior companhia nacional de transportes aéreos regionais, com participação de 55% no mercado. Só no ano passado, a TAM transportou quase oito milhões de passageiros em frota de 60 jatos que interligam capitais brasileiras aos principais centros regionais do País, oito capitais da América do Sul. Miami (Estados Unidos) e Paris (França). Este ano, o negócio cresceu ainda mais com o processo de incorporação da ex-concorrente Transbrasil. Ousado nos negócios, tanto que amplia as bases da TAM na América do Sul com abertura de companhias aéreas na Bolívia. Venezuela e Argentina. Rolim Amaro também conta com a sorte, muita sorte. Em fevereiro último adquiriu por R$ 14 milhões, em São Carlos, na Alta Mogiana paulista, área de 150 alqueires onde operou ate 1995 a CBT (Companhia Brasileira de Tratores). Chamaram a atenção de Amaro um gigantesco galpão com área de 95 mil metros quadrados e 18 metros de altura, ideal para guardar aeronaves, e uma pista para poucos e decolagens com quase 1.5 quilômetro de extensão. No aspecto científico, o comandante empolgou-se com o conteúdo tecnológico das empresas que surgiram nos últimos anos em São Carlos, inspiradas pelos centros de pesquisas mantidos pelas unidades locais da USP. Unesp e Universidade Federal de São Carlos. O curso de Engenharia Mecânica da USP tem ênfase em aeronáutica. Com planos de instalar a maior e mais moderna oficina de manutenção de aviões da América Latina, em parceria com grupo internacional, Rolim Amaro não tinha como prever em fevereiro que a TAM ajudará a consolidar na Alta Mogiana o segundo maior pólo da indústria aeronáutica brasileira. É na pequenina Gavião Peixoto, com 4.5 mil habitantes, a 60 quilômetros de São Carlos, que a poderosa Embraer instalará a quarta fábrica no País. a primeira fora de São José dos Campos. A nova indústria receberá até 2005 investimentos de R$ 270 milhões, proporcionará três mil empregos diretos. além de 1,5 mil indiretos, e levará para a Alta Mogiana parceiros-fornecedores como o consórcio francês Dassault. A baixa densidade demográfica de Gavião Peixoto é fundamental para os oito novos modelos de aviões que a Embraer produzirá no Brasil, entre os quais um supersônico para uso militar cujos testes precisam ser feitos em região pouco povoada devido ao barulho. Como as automotivas - O que vai ocorrer com a instalação de novo pólo aeronáutico na Alta Mogiana é semelhante ao que se deu na indústria automobilística brasileira. Lançadas no ABC Paulista no final da década de 50, as montadoras consolidaram um pólo no Vale do Paraíba nos anos 80 e no final da década de 90 instalaram-se também na Grande Curitiba (PR). Da indústria original até o pólo mais recente, o diferencial está na modernidade tecnológica. Enquanto o ABC corre contra o tempo para atualizar plantas, a Grande Curitiba sedia algumas das linhas e sistemas de montagem mais modernos do planeta. A previsão para a Alta Mogiana é de que se instale um novo capítulo da história da indústria aeronáutica brasileira, pautado pelo avanço tecnológico. Com participação de 7.4% na arrecadação estadual do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e P1B (Produto Interno Bruto) de US$ 23 bilhões/ano, a Alta Mogiana marca a entrada do governo de São Paulo na guerra fiscal. Diante da possibilidade de a Embraer optar por vantagens oferecidas por Minas Gerais e Santa Catarina, o governador Mário Covas montou um pacote de benefícios. O Estado garante à indústria terreno de 600 alqueires, obras de infra-estrutura calculadas em R$ 27.7 milhões e investimento de US$ 60 milhões da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado) para financiar projetos de pesquisas voltados à aeronáutica. (RG)