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Tacógrafo digital

Publicado em 15 maio 2006

Tacógrafo digital desenvolvido pela Poli poderá equipar caminhões no futuro

A cena vista em boa parte dos pedágios de São Paulo, onde os veículos não precisam parar totalmente para pagar a tarifa, poderá ser vista, no futuro, também em outros trechos das rodovias. O Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo está desenvolvendo um tacógrafo digital para transmitir dados do veículo por sinais de rádio.
"Isso será útil, por exemplo, num posto fiscal, onde o caminhão não precisará parar. Todos os dados medidos pelo tacógrafo serão transmitidos mesmo com o veículo em movimento", explica o engenheiro Felipe Nigro, que desenvolveu o protótipo ao lado do colega Christian Valdívia e sob a orientação do professor Antonio Carlos Seabra, à Agência FAPESP.
O equipamento produzido no LSI tem capacidade ainda pequena de transmitir dados por radiofreqüência. "Ele está programado para operar em até 100 metros. Portanto, ainda não é possível pensar, por exemplo, em gerenciamento de frotas", ressalta Nigro.
Além do módulo instalado para poder transmitir dados a distância, o fato de o equipamento ser digital também é uma novidade. Dessa forma, o produto gera gráficos e relatórios muito mais fáceis de serem consultados.
Até o ano passado, todos os tacógrafos vendidos no Brasil, segundo o engenheiro, eram ainda analógicos. "No meio do nosso projeto é que surgiram no mercado os primeiros produtos digitais", diz Nigro. Todos os modelos, basicamente, informam a quilometragem percorrida, tempo em movimento e parado, horas de trabalho, excesso de velocidade, velocidade média e quantidade de freadas bruscas.
Além de ser obrigatório em todos os caminhões, ônibus e vans, inclusive as usadas em transporte escolar, o tacógrafo é um equipamento essencial para as empresas fiscalizarem seus funcionários. Por isso, a segurança do sistema, sempre alvo de violações, é um dos pré-requisitos comerciais importantes, sempre verificados pelos consumidores. "Esse é um dos tópicos que ainda precisam ser melhorados no nosso tacógrafo", informa Nigro.
Para continuar no desenvolvimento do tacógrafo digital com transmissão por radiofreqüência (a capacidade da memória também tem que ser ampliada das atuais 24 horas para sete dias, como nos demais equipamentos), os pesquisadores pensam em criar uma empresa e instalá-la dentro de uma incubadora. Depois de pronto, o protótipo terá que ser aprovado pelo Inmetro antes de ser comercializado.