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Taça Jules Rimet será reproduzida em impressora 3D na USP de São Carlos

Publicado em 13 dezembro 2019

Tecnologia capaz de fundir metal em pó permite fazer nova peça, que será doada à CBF no aniversário de 50 anos da conquista definitiva pela Seleção Brasileira

Escondida em uma caixa de sapatos para escapar das tropas nazistas na Segunda Guerra Mundial, conquistada em definitivo pelo Brasil na Copa de 1970, no México, e roubada para ser derretida em ouro, a taça Jules Rimet vai receber uma homenagem digna perto do 50º aniversário do tricampeonato no México, em 2020. Um grupo de pesquisadores da Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos está produzindo uma réplica em uma impressora 3D, que é capaz de fundir metal em pó a 1700°C.

A intenção é doar a réplica à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e mostrar a potência do equipamento avaliado em R$ 2 milhões e construído na própria universidade. De acordo com o coordenador do projeto, o pesquisador Reginaldo Teixeira Coelho, a ideia de imprimir a taça surgiu da necessidade de testar a nova tecnologia do departamento unido à paixão pelo futebol.

- A ideia surgiu pela comemoração de 50 anos da conquista da taça, que será no ano que vem, e a comemoração do milésimo gol do Pelé. Resolvemos unir uma tecnologia pioneira junto com essa conquista - disse Coelho.

Ao invés de ser lapidada por um bloco de polímeros, a peça será construída por um laser que funde o metal em pó aço inoxidável, e esculpe o material no formado desejado. A temperatura durante a impressão ultrapassa os 1.700°C. Após a montagem, ela será banhada em ouro.

Essa impressora aditiva custa cerca de R$ 2 milhões e foi construída na própria USP com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e auxílio da UFSCar, Unicamp, IEAV e CTI de Campinas.

Segundo o coordenador, o grande diferencial dessa máquina híbrida com tecnologia DED (Direct Energy Deposition) é que ela pode imprimir objetos em aço, que precisa de uma temperatura muito mais alta do que o plástico, por exemplo.

- A máquina é uma impressora 3D para metais. A dificuldade dessa tecnologia é que os metais precisam de uma energia muito alta para se fundirem e você poder molda-los. O plástico é uma temperatura menor. Então esse é o grande desafio, fazer isso com uma impressora 3D - explicou.

De acordo com a pesquisadora Kandice Barros, para imprimir a taça, a máquina precisa de um desenho 3D feito em um software de modelagem. O equipamento pode fabricar a peça metálica diretamente com uma necessidade mínima de ferramental.

- Essa tecnologia funciona por programação, que é quando a gente fala para a máquina como que a gente deve seguir as coordenadas até fazer a produção - explicou.

Segundo Piter Gargarela, um dos pesquisadores envolvidos no projeto, a matéria prima para o processo de impressão 3D nesta máquina é muito peculiar. Cada partícula do aço em pó tem que ter um tamanho adequado e uma composição química padrão ajustada ao projeto.

- Tem várias etapas de fundição do pó, desde fundição da peça, que vai ser refundida e atomizada à gás para a produção do pó. Tudo esta sendo estudado nesse projeto - explicou.

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De acordo com Gargarela, são necessárias 12 horas para a produção de 15 kg do pó de aço. Durante a produção da taça, são usados aproximadamente 10 kg.

A nova taça deve ficar pronta em janeiro de 2020, quando será levada à sede da CBF, no Rio de Janeiro, em comemoração aos 50 anos da conquista do tricampeonato mundial de futebol, no México, em 1970.

A taça Jules Rimet foi o troféu do Brasil na Copa do Mundo de 1970, após a vitória contra a Itália com placar de 4 a 1. Treze anos depois, o prêmio foi roubado da sede da CBF, no Rio de Janeiro. Alguns dias mais tarde, houve notícias de que o troféu havia sido fundido.

Segundo estimativas, o ouro coletado valeria o equivalente a R$ 190 mil. Em 1986, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) ofereceu uma réplica da taça, que continua entre os prêmios guardados pela entidade até hoje.