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Syngenta investe para pesquisar cana no Brasil

Publicado em 23 março 2009

A multinacional Syngenta investe a cada ano US$ 1 bilhão em pesquisa e tecnologia, e neste ano pelo menos 10% desse montante, ou US$ 100 milhões, vai ser aplicado em pesquisas para cana-de-açúcar. "A cultura ainda está um passo atrás de outras lavouras. Nossa estratégia é explorar este potencial", arquiteta Dimitri Pauwels, diretor-geral de biocombustível da companhia.

Para se ter uma ideia do impacto que esse investimento pode causar no setor de biotecnologia, em 2004, a conclusão da transcrição do genoma da cana-de-açúcar - marco genético entre pesquisadores - custou cerca de US$ 5 milhões, US$ 4 deles financiados apenas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Várias tecnologias para o beneficiamento da gramínia já estão em desenvolvimento nos nossos laboratórios. Agora estamos em busca de institutos especializados para selarmos parcerias", afirma Ian Jepson, chefe da área de cana-de-açúcar da Syngenta.

Em entrevista exclusiva à Gazeta Mercantil, os executivos Jepson e Pauwels declararam que em quatro anos a Syngenta deve disponibilizar ao mercado brasileiro e mundial os marcadores moleculares genômicos e funcionais associados à características agronômicas de interesse em cana-de-açúcar desevolvidos nos laboratórios da companhia. Em viagem ao Brasil, eles participaram do workshop BIOEN on Sugarcane Improvement, realizado pela Fapesp na semana passada.

Marco Bochi, diretor de novas tecnologias para cana-de-açúcar, justifica o direcionamento de recursos ao setor apontando a projeção de crescimento de 100% até 2020 da área cultivada no País com cana-de-açúcar. O Brasil é líder mundial na produção de cana, com uma participação de cerca de um terço do mercado mundial, seguido de longe por Índia e China. A produtividade média das lavouras brasileiras atinge atualmente 80 toneladas por hectare. Se os estudos da Syngenta surtirem efeito, a quantidade de cana colhida na mesma área pode saltar para 240 toneladas, calcula o Ph.D Ian Jepson.

A atração dos marcadores

Apostando também no potencial do setor sucroalcooleiro como fonte alternativa de energia, a Monsanto, largou na frente na corrida pelo aprimoramento tecnológico com a aquisição da CanaVialis e da Alellyx há quatro meses. Especializadas em biotecnologia e melhoramento genético da cana, as duas empresas já estão debruçadas sobre o sequenciamento do genoma da cana há pelo menos sete anos. A CanaVialis já ostenta dezenas de marcadores moleculares por eles chamados de ‘microssatélites’, dispostos no ‘Sistema de Genotipagem de Cana-de-Açúcar. A Alellyx também se apoia na biotecnologia para a seleção de genes para a introdução em variedades comerciais.

Plenitude no plantio

Ainda do lado de fora da célula da cana, a Syngenta pode oferecer aos produtores uma redução de 15% nos custos de plantio, além do aumento da produtividade em outros 15%. O beneficiamento é mediado por uma tecnologia que aguarda autorização regulatória para ser cultivada, mas que já tem nome, PleneTM. De acordo com estimativas da empresa, existe um mercado potencial de US$300 milhões por ano até 2015.

A tecnologia em questão substitui o método tradicional de plantio, com matrizes de 30 a 40 centímetros, por mudas com menos de quatro centímetros de comprimento. Elas recebem aplicações de tratamento de sementes para aprimorar o desenvolvimento nos estágios iniciais. O método otimiza o replantio da cana. Outra aposta da empresa é a viabilização da segunda geração de biocombustíveis a partir de resíduos orgânicos, o bagaço.

Desvendados os caminhos genéticos a serem percorridos, a Syngenta vai se dedicar à produção transgênica da cana para controlar as pragas que atacam as lavouras, potencializar a produtividade, ultrapassar a barreira dos 13% de concentração de açúcar, reduzir a aplicação de fertilizantes nitrogenados e ainda parir uma variedade resistente à seca.