Muitos brasileiros ficaram apreensivos após a suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Hoje, três vacinas têm registro da Anvisa — Qdenga, Butantan-DV e Dengvaxia —, mas cada uma foi testada em grupos dife-rentes e segue critérios próprios de indicação e segurança.
Enquanto o Ministério da Saúde investiga 42 casos de reações graves registrados após a aplicação da Butantan-DV, especialistas ressaltam que as vacinas contra a dengue não são intercambiáveis: variam conforme a idade, o histórico de infecção pela doença e outras condições de saúde.
A Qdenga (TAK-003), da farmacêutica japonesa Takeda, foi aprovada pela Anvisa em março de 2023. O imunizante utiliza vírus vivos atenuados e induz resposta imunológica contra os quatro sorotipos da dengue.
Segundo o infectolo-gista e pesquisador Antônio Carlos Bandeira, a vacina tem como base o vírus da dengue tipo 2 atenuado e incorpora proteínas dos vírus dos tipos 1, 3 e 4.
A Anvisa aprovou a aplicação para a mesma faixa etária analisada nos estudos: de 4 a 59 anos. No SUS, a vacinação está restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Já a Dengvaxia, da francesa Sanofi, foi a primeira vacina contra a dengue aprovada pela Anvisa e permaneceu como a única disponível no país até a chegada da Qdenga, em 2023.
Segundo o infectologista, a estrutura da vacina utiliza o vírus da febre amarela como base e incorpora componentes dos quatro sorotipos da dengue. A aprovação contempla pessoas de 9 a 45 anos que já tiveram dengue. A vacina está disponível apenas na rede privada e só pode ser aplicada em pessoas com infecção prévia comprovada.
Enquanto isso, a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, é a primeira vacina 100% brasileira contra a dengue e também a primeira do mundo aplicada em dose única. O imunizante foi desenvolvido para proteger contra os quatro sorotipos do vírus e oferece proteção por pelo menos cinco anos, segundo os dados disponíveis.
A aprovação foi concedida para pessoas de 12 a 59 anos. A imunização começou em janeiro deste ano, inicialmente voltada para profissionais de saúde, que receberam 417 mil doses.
Na segunda-feira, dia 8, o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da Butantan-DV após o registro de 42 casos de reações severas. Até 30 de maio, haviam sido aplicadas cerca de 500 mil doses. Nesse período, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% do total de vacinados.
Os 42 casos classificados como graves corresponderam a 0,008% das pessoas imunizadas. Entre eles, foram identificados três episódios considerados graves, incluindo duas mortes. Segundo o ministério, ainda não é possível estabelecer uma relação de causalidade entre a aplicação da vacina e os óbitos. Por isso, a investi-gação continuará.