Após suspensão temporária da vacina do Butantan, município afirma que adolescentes receberam imunizante da Takeda
A Coordenadoria de Imunização da Prefeitura de Bagé divulgou uma nota sobre a suspensão temporária da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan, anunciada na segunda-feira, 8. De acordo com o comunicado, apenas doses da Qdenga, do laboratório Takeda, foram aplicadas na população geral, enquanto a vacina Butantan-Dengue foi destinada exclusivamente aos profissionais da saúde.
A coordenadora de imunização do município, Cláudia Bastianello, explica que 'nenhum adolescente recebeu esta vacina'. "A imunização que eles receberam foi a vacina Qdenga, do laboratório Takeda. Queremos tranquilizar os pais, principalmente após essa determinação do Ministério da Saúde e da Anvisa”, afirma.
Bastianello destaca que as doses da Qdenga seguem disponíveis para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Segundo ela, mais de mil doses já foram aplicadas no público-alvo apenas neste ano. A coordenadora destacou ainda que nenhuma reação adversa significativa foi registrada entre os profissionais da saúde que receberam a vacina.
O que levou à suspensão
Na terça-feira, 9, durante coletiva de imprensa, o Ministério da Saúde informou que a decisão foi tomada após o recebimento de notificações de farmacovigilância — processo de monitoramento contínuo dos efeitos de vacinas e medicamentos após sua aprovação.
Em cerca de 500 mil aplicações, foram registrados 42 eventos adversos graves, o equivalente a 0,008% do total de pessoas vacinadas, índice classificado como “muito raro”.
Entre os casos analisados, três evoluíram para quadros considerados graves, resultando em duas mortes.
O primeiro caso foi o de uma mulher de 39 anos que apresentou dores musculares, náusea e febre seis dias após a vacinação. O quadro evoluiu para dengue grave e ela precisou ser internada em uma UTI.
O segundo caso envolve uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após receber a vacina, com comprometimento neurológico e meningoencefalite, o que levou ao óbito.
Já o terceiro caso foi o de um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após a vacinação. O quadro evoluiu para dengue com choque refratário, e ele também morreu. “Queria reforçar aqui que o Ministério da Saúde tem toda a confiança na capacidade institucional e científica do Instituto Butantan para realizar essa investigação e aprofundar esses estudos. Isso foi apresentado no Comitê de Farmacovigilância Nacional, realizado hoje pela manhã, e o comitê recomendou de forma consensual essa estratégia de descontinuidade”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A orientação para quem recebeu a dose nos últimos 21 dias é realizar acompanhamento e ficar atento ao surgimento de sintomas como febre, dor abdominal, vômitos e outros sinais compatíveis com dengue. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira contra a dengue aplicada em dose única e também a primeira totalmente brasileira.