O Sistema Único de Saúde (SUS) dará início, a partir da segunda quinzena de janeiro, a uma nova estratégia de enfrentamento à dengue com a aplicação da vacina de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan. A ação começa de forma piloto em Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP).
A proposta do Ministério da Saúde é imunizar ao menos metade da população desses municípios, avaliando o impacto da vacina no controle da doença. Nesta fase inicial, o público-alvo será formado por pessoas com idade entre 15 e 59 anos, além de profissionais da atenção primária que atuam nas unidades básicas de saúde.
As doses fazem parte do primeiro lote de 1,3 milhão de vacinas produzidas pelo Butantan. Com o avanço da produção, viabilizado por uma parceria internacional para transferência de tecnologia, a expectativa é que a imunização seja expandida gradualmente para todo o país, começando pelos adultos e avançando até os adolescentes.
Atualmente, o SUS disponibiliza outra vacina contra a dengue, aplicada em duas doses, restrita a adolescentes entre 10 e 14 anos.
Estudos recentes reforçam o potencial do novo imunizante. Pesquisas conduzidas com voluntários de diversas regiões do Brasil indicam que, mesmo quando ocorre infecção após a vacinação, a carga viral é significativamente menor, o que reduz o risco de formas graves da doença.
A vacina do Instituto Butantan foi aprovada pela Anvisa após cinco anos de acompanhamento clínico e demonstrou alta eficácia, especialmente na prevenção de casos graves, representando um avanço importante no combate à dengue no país.
Conquista
Justiça determina que SUS forneça remédio para tratar câncer raro
Tribunal Regional Federal da 2ª Região atendeu pedido do Ministério Público Federal e obrigou a União a garantir o fornecimento contínuo do medicamento Mitotano para tratamento de carcinoma adrenocortical pelo SUS.
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) determinou que o Sistema Único de Saúde (SUS) forneça o medicamento Mitotano a pacientes diagnosticados com carcinoma adrenocortical, tipo raro e agressivo de câncer. A decisão liminar foi publicada em 8 de janeiro de 2026, após recurso apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) diante da negativa em primeira instância.
Decisão judicial reconhece urgência e risco à vida
O tribunal reconheceu a urgência da solicitação e o risco concreto à vida dos pacientes sem acesso ao medicamento. O MPF argumentou que o Mitotano, também conhecido pelo nome comercial Lisodren, é a principal opção terapêutica para a doença, sendo utilizado desde a década de 1960 em casos de tumores inoperáveis, metastáticos ou recorrentes, além de ser indicado como terapia adjuvante para reduzir o risco de recidiva após cirurgia.
União deve apresentar plano de fornecimento
A decisão estabelece que a União apresente um plano de ações e um cronograma detalhado para garantir a entrega contínua do Mitotano a todos os pacientes do SUS com indicação médica, evitando a interrupção do tratamento.
Crise no abastecimento desde 2022
De acordo com o MPF, a crise no fornecimento do Mitotano se intensificou em março de 2022, quando a empresa responsável pelo registro do medicamento no Brasil comunicou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a descontinuação da fabricação e importação por motivos comerciais. Desde então, hospitais de referência do SUS, como o Instituto Nacional de Câncer, relataram estoques zerados, levando pacientes a buscarem o remédio com recursos próprios ou por meio de empréstimos entre unidades de saúde.
Medicamento considerado insubstituível para pacientes
O MPF destacou que não há alternativas terapêuticas com a mesma eficácia e segurança disponíveis no mercado nacional, tornando o fornecimento contínuo do Mitotano indispensável para o tratamento dos pacientes pelo SUS.
Saúde
SES promove qualificação estadual sobre diagnóstico precoce da hanseníase no Janeiro Roxo
Capacitação on-line ocorre em 21 de janeiro e é voltada a profissionais de saúde de todos os municípios de MS.
Em alusão ao Janeiro Roxo, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) promove, no dia 21 de janeiro, uma qualificação estadual para profissionais de saúde, com foco no fortalecimento do diagnóstico precoce da hanseníase. A ação integra a campanha nacional “Janeiro a Janeiro: Vencer a hanseníase é cuidar do Brasil o ano inteiro”.
Capacitação e parceiros
A qualificação aborda o reconhecimento dos sinais e sintomas da doença e a aplicação do teste rápido em contatos de casos novos. A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
A ação será realizada para todo o Estado por meio da plataforma Telessaúde, com apoio técnico do Hospital de Referência São Julião, e contará com a participação de consultores técnicos do Ministério da Saúde.
Webinar e público-alvo
O webinar “Qualificação em Hanseníase” ocorre no dia 21 de janeiro de 2026, das 8h30 às 10h30 (horário de Mato Grosso do Sul). A atividade é voltada a profissionais de saúde e coordenadores municipais dos 79 municípios.
A capacitação será conduzida pelo coordenador do Programa de Hanseníase do Ambulatório do Hospital São Julião, Augusto Brasil Filho, e pelos consultores Marcela Campos e Alexandre de Macedo, da Coordenação-Geral de Vigilância da Hanseníase e Doenças em Eliminação, vinculada ao Departamento de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde.
Importância do diagnóstico precoce
De acordo com a consultora em hanseníase da Gerência Estadual de Tuberculose, Hanseníase e Micoses Endêmicas da SES, Fabiana Pisano, a qualificação é fundamental para interromper a transmissão da doença. Segundo ela, o diagnóstico precoce, o tratamento oportuno e a investigação de contatos são as principais formas de prevenção.
Sinais de alerta
Os principais sinais de alerta incluem manchas na pele com alteração da sensibilidade térmica, dolorosa ou tátil, além de formigamentos ou sensação de choques, principalmente em braços e pernas. Também podem ocorrer inchaço de mãos e pés, ressecamento da pele, queda de pelos — especialmente das sobrancelhas —, presença de nódulos e, em alguns casos, sangramentos nasais. Ao identificar qualquer desses sinais, a orientação é procurar uma unidade de saúde.
Cenário em Mato Grosso do Sul
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação indicam 1.950 casos notificados entre 2021 e 2025, com aumento nos registros em 2024 e 2025, reforçando a necessidade de ações contínuas de vigilância e capacitação profissional.
A hanseníase tem cura, o tratamento é gratuito pelo SUS e o risco de transmissão é eliminado logo nas primeiras doses da medicação. A identificação precoce contribui para melhores resultados e evita complicações ao longo do tempo.