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Surto de dengue é o pior da década no DF e em cinco estados (57 notícias)

Publicado em 22 de maio de 2022

Alem de em apenas quatro meses ja ter superado o numero de casos registrados durante todo o ano passado, o atual surto de dengue no Brasil mostra a chegada do mosquito Aedes aegypti a novos locais e e o pior da decada no Distrito Federal e em Goias, Piaui, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins.

Os governados estaduais mais afetados e o governo federal apontam a pandemia de Covid-19 como uma das causas que dificultaram o combate a disseminacao da doenca. Alem da conhecida rotina de prevencao, a Fiocruz (Fundacao Oswaldo Cruz, vinculada ao Ministerio da Saude) diz ter obtido resultados promissores no uso da bacteria Wolbachia, cuja eficacia e testada desde 2014, mas o metodo e aplicado em poucas cidades.

Para combater o surto, os gestores de saude em todos os niveis intensificam uma rotina ja conhecida. Aplicacao de larvicida, conscientizacao da populacao para que evite criar lugares propicios para a reproducao do mosquito e treinamento de agentes de saude, entre outras atividades.

Apesar disso, o mosquito tem chegado a regioes que antes nao tinham esse problema. Esses sao os casos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ambos tem um surto recorde de dengue.

Em Santa Catarina, foram 56 mil casos notificados no primeiro quadrimestre. E o terceiro ano seguido de crescimento. Antes de 2019, o recorde era de 4.800 casos entre janeiro e abril de 2016.

No Rio Grande do Sul, houve 41,4 mil casos. A explosao e similar a observada no estado vizinho, com um crescimento paulatino desde 2019, atingindo numeros muito maiores do que os registrados nos anos anteriores.

Entre as causas, a Secretaria de Saude catarinense apontou "alteracoes nas condicoes climaticas, que permitem a reproducao do mosquito ao longo de todo o ano". O frio impede a reproducao do mosquito. Com o aumento das temperaturas, o clima fica mais favoravel para o Aedes aegypti.

Outro problema foi a pandemia. O Ministerio da Saude disse ter havido reducao das visitas de agentes de saude as residencias "devido a dificuldade encontrada durante a emergencia sanitaria da Covid-19 para controlar a proliferacao do mosquito".

A Secretaria de Saude de Tocantins, outro estado com numero recorde, listou "o diagnostico tardio pelos profissionais que estavam focados na Covid-19" e a "reducao das acoes de controle do vetor devido o direcionamento dos profissionais para o Covid-19".

Em Niteroi, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campo Grande e Petrolina, a Fiocruz testa ha alguns anos o uso da Wolbachia, paralelamente a pesquisas que estao sendo realizadas sobre o metodo em 11 paises.Essa bacteria esta presente naturalmente dentro da celula de diversos insetos, mas nao no mosquito que transmite a dengue, a zika e a chikungunya.

De acordo com Luciano Moreira, lider do WMP (sigla em ingles para Programa Mundial do Mosquito, que coordena o projeto em ambito mundial) e pesquisador da Fiocruz, o primeiro passo do metodo, que por ora e complementar, consiste na introducao da bacteria nos ovos de Aedes aegypti.

Isso acontece em uma fabrica da Fiocruz no Rio de Janeiro e outra em Belo Horizonte, cidade que tambem ja teve liberacoes de mosquitos. Depois disso, ha duas opcoes: liberar os ovos ou o mosquito adulto.

Na natureza, o mosquito se reproduz e passa a bacteria para seus descendentes. Com o tempo, a tendencia e que ele se torne dominante no local, dificultando assim a transmissao do virus. Em Belo Horizonte, os mosquitos foram liberados entre outubro de 2020 e janeiro de 2021. Os resultados so devem ser medidos daqui a quatro anos.

O primeiro local que recebeu mosquitos com a bacteria foi Niteroi e alguns bairros do Rio de Janeiro, ainda em 2014. Ao analisar os dados coletados depois do experimento, a Fiocruz constatou uma reducao de 70% no numero de casos na comparacao com bairros que nao tinham recebido o metodo.

Campo Grande (MS) e Petrolina (PE) tambem ja participam do programa. Alem deles, mais de 20 municipios pediram adesao, porem a Fiocruz nao tem capacidade para atender novas solicitacoes.

Para resolver o problema de oferta do mosquito com a bacteria, o plano e construir uma nova fabrica com capacidade de produzir 50 milhoes de ovos por semana. Hoje, a capacidade e de 8 milhoes. Caso haja a expansao, negociada entre Ministerio da Saude, Fiocruz e WMP, o "calculo bastante conservador e de em dez anos cobrir 67 milhoes de habitantes no Brasil (32% da populacao)", diz Moreira.

Um estudo conduzido por pesquisadores das universidades de Sao Paulo (USP) e de Cambridge (Reino Unido) mostrou que moscas da especie Drosophila melanogaster - comuns em qualquer cozinha- sao infectadas por menos especies de virus e contem menor carga viral quando sao colonizadas por bacterias do genero Wolbachia. O trabalho, apoiado pela Fapesp e pela Royal Society, foi publicado na revista Communications Biology.

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