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Ecofor Mata Atlântica

Surpresa agradável: imagens de satélite mostram crescimento da Mata Atlântica no Vale do Paraíba Paulista

Publicado em 26 julho 2017

Um importante estudo realizado pelo Projeto ECOFOR (Biodiversidade e Funcionamento de Florestas Degradadas e em Recuperação na Amazônia e na Mata Atlântica) apontou que houve crescimento da área ocupada por fragmentos de Mata Atlântica espalhadas por propriedades particulares do Vale do Rio do Paraíba do Sul, no Estado de São Paulo. Os trabalhos foram conduzidos pelo pós-doutor André Luís Casarin Rochelle, que faz parte do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

O trabalho teve como objetivo encontrar fragmentos de mata onde os trabalhos sobre ecologia pudessem ser realizados. Além disso, houve a interligação de todos os dados recolhidos e georreferenciados. Esse estudo foi necessário porque nem todos os fragmentos de mata são viáveis para estudo, seja pelo tamanho seja pela altitude em que se encontram ou por dificuldades de acesso.

Mas colher tais informações não foi uma tarefa fácil, conforme explicou André. O primeiro passo foi levantar as fontes oficiais que possuíam os dados existentes. Entre essas fontes estavam informações sobre a altitude dos fragmentos de vegetação de acordo com dados disponibilizados pela Nasa (Agência Espacial Norte-americana) e uma série de fotos aéreas tiradas em 1962, pelas quais foi possível comparar o crescimento de alguns fragmentos de mata, nos últimos 55 anos – algo inédito em estudos desse tipo. “Mesmo com essas informações, ainda havia dados que não existiam prontamente, como as estradas de terra que dão acesso aos fragmentos, por exemplo. Então, tivemos que fazer esse levantamento e incluir nos mapas”, conta.

Encontrados os fragmentos, o próximo passo foi catalogar o que havia em cada um deles. “Foram feitas amostragens de duas parcelas (áreas permanentes delimitadas no interior da floresta onde todos os organismos de um determinado grupo são identificados e medidos, como árvores acima de 5 cm de diâmetro, por exemplo) em cada fragmento, uma no núcleo e outra na borda, uma vez que a vegetação encontrada em cada área é diferente. Ao todo foram amostradas 32 parcelas, que podem ser usadas como áreas de estudo nas próximas pesquisas”, afirma.

Sobre as primeiras conclusões deste enorme trabalho há uma série de destaques. “Uma das coisas que conseguimos desmistificar é que estavam derrubando áreas de floresta para plantar eucalipto na região. Na verdade, comparando as imagens, conseguimos verificar que a maior parte do eucalipto está sendo plantado em antigas áreas de pastagem. Outra informação importante é que conseguimos perceber que o tempo (idade dos fragmentos) é um fator mais importante para a biodiversidade do fragmento do que o seu tamanho e sua conectividade com outros fragmentos”, conta André.

Para finalizar, o pesquisador conta que os próximos passos para seu trabalho são terminar as análises de todas as informações coletadas para publicações científicas e esperar que esses dados e fragmentos sejam usados para futuras pesquisas na área da Biologia.