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Superconcreto de sílica de arroz barateia a construção

Publicado em 17 outubro 2002

Por Fabiana Pio
Uma nova alternativa ao aço e aos revestimentos especiais para a construção civil já está pronta para ser comercializada no País. Trata-se de um concreto super-resistente, que pode durar até 250 anos. Ele foi desenvolvido a partir da sílica da casca do arroz e das cinzas desse grão. Esse processo é inédito no mundo e a patente de extração de sílica da casca de arroz já foi depositada no País. Além do uso na construção civil, a sílica pode servir como matéria-prima para pasta de dente, pneu, sabonete, verniz e tinta. Com o concreto super-resistente, é possível reduzir de 20% a 30% os custos de uma obra, graças à economia de material que proporciona. "O superconcreto permite diminuir a largura de um pilar de 100 centímetros para até 40 centímetros, com a mesma resistência. Assim, um prédio pode, por exemplo, ter mais vagas na garagem", diz o professor Jefferson Libório, do Departamento de Engenharia de Estruturas da Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP), de São Carlos. Libório e a pesquisadora Vanessa Silva fazem parte da equipe que desenvolveu o superconcreto. Além disso, esse concreto não polui o meio ambiente, pois é formado por pequena quantidade de clinquer - material derivado da junção de calcário com argila, que precisa ser queimado a temperaturas acima de 1.450 graus Celsius, liberando elevadas concentrações de gás carbônico. Segundo Libório, o novo concreto tem em sua composição 17% de clinquer e os demais materiais são misturados a frio. O projeto teve início em 1996 e foi finalizado neste ano. Recebeu investimento de R$ 1 milhão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e das empresas Holcim Cimentos e Master Builder Technologies (MBC). Segundo Libório, o novo produto surgiu de um trabalho em conjunto com o professor Milton de Souza, do Laboratório de Química da USP de São Carlos. "Inicialmente, o professor Milton estava desenvolvendo blocos de cimento a partir da casca do arroz, mas reclamava que esse grão tinha muita sílica. Então, resolvi desenvolver um concreto a partir desse material, já que a sílica proporciona muita resistência aos produtos", diz. Ele conta que foi desenvolvido um processo junto com o professor Souza, que consistiu em tratar quimicamente a casca de arroz, queimá-la e chegar a uma sílica de alta pureza. Além disso, o Departamento de Engenharia da USP São Carlos já iniciou os estudos para desenvolver um concreto ainda mais resistente. O novo produto tem cerca de 250 Mega Pascal de resistência, mas o objetivo é chegar a 500. De acordo com Lebório, um material tão resistente só é utilizado por cerca de três empresas em todo o mundo, que são especializadas na fabricação de grandes peças mecânicas. Há dez anos a Holcim apóia projetos de pesquisa, doando cimento a laboratórios como o da USP de São Carlos e de São Paulo. Mas a empresa não tem interesse imediato em desenvolver produtos com base nessas pesquisas, segundo assesssoria.