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Supercomputador é novo aliado da ciência do clima no Brasil

Publicado em 02 dezembro 2010

O Brasil contará com um dos computadores mais rápidos do mundo para ajudar a aprofundar os estudos climáticos no País. A supermáquina está sendo montada no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), uma das referências sobre estudo climático na América Latina.

O novo supercomputador deve entrar em operação em 2011 e já é considerado o maior do hemisfério Sul, segundo a listagem Top 500 Ampliar.

O equipamento custou US$ 30 milhões ao governo brasileiro e deve entrar em funcionamento este ano. Batizado de Tupã (trovão no idioma tupi guarani), o computador será capaz de rodar os complexos modelos matemáticos aplicados nas pesquisas climáticas. O novo sistema será utilizado pelo CPTEC e pelo Centro de Ciências do Sistema Terrestre (CCST), também do Inpe.

Com velocidade máxima de 258 TFlops, equivalente a 258 trilhões de cálculos por segundo, Tupã é o terceiro mais poderoso entre os supercomputadores dedicados à previsão numérica operacional de tempo e de clima sazonal. Considerando as aplicações para mudanças climáticas, fica em oitavo lugar. Essa classificação coloca o Brasil entre os países capazes de gerar cenários futuros de clima que irão apoiar o quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o painel das Nações Unidas que avalia as conseqüências do aquecimento global.

A máquina permitirá previsões de tempo mais confiáveis, com mais antecedência e de melhor qualidade, ampliando o nível de detalhamento para 5 quilômetros na América do Sul e 20 quilômetros para todo o globo. Será possível prever ainda eventos extremos com boa confiabilidade, como chuvas intensas, secas, geadas, ondas de calor, entre outros. As previsões ambientais e de qualidade do ar também serão beneficiadas, gerando prognósticos de maior resolução, de 15 quilômetros, com até seis dias de antecedência.

Além dos pesquisadores do instituto, grupos de pesquisa integrantes da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas (Rede Clima), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas também deverão usar a infraestrutura. A nova máquina também será fundamental para o desenvolvimento e implementação do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global, que incorporará todos os elementos do Sistema Terrestre (atmosfera, oceanos, criosfera, vegetação etc), suas interações e de qual maneira este sistema está sendo perturbado por ações resultantes da atividade humana, como emissões de gases de efeito estufa, mudanças na vegetação e urbanização.