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Diário de S.Paulo

Supercomputador de olho no tempo

Publicado em 30 dezembro 2010

Prever com antecedência a ocorrência de fenômenos climáticos como tempestades, furacões e secas e melhorar a confiabilidade da previsão diária do tempo são desafios do novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista, a 202 quilômetros da capital.

O equipamento, denominado "Tupã", está instalado no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), vinculado ao Inpe, e deve entrar em operação a partir de fevereiro. A máquina é considerada uma das mais modernas da sua categoria no mundo e custou R$ 50 milhões aos cofres públicos.

Adquirido nos Estados Unidos com recursos do governo federal e da Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o supercomputador vai ajudar os meteorologis -tas a aprimorarem a confiabilidade das previsões climáticas. Atualmente, a previsão para 24 horas tem 98% de possibilidade de acerto. Para cinco dias, chega a 80%, e para sete dias, abaixo de 60%.

"O nosso desafio é aprimorar a previsão do tempo a médio e longo prazos", afirmou Marcelo Seluchi, coordenador substituto do Cptec.

Ele destacou que o aprimora -mento da qualidade da previsão de fenômenos climáticos extremos, como as chuvas que devastaram o centro histórico de São Luís do Paraitinga no começo do ano, será ferramenta importante para a Defesa Civil antever medidas de prevenção a catástrofes.

O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, disse que o novo supercomputador é 250 vezes mais rápido que o que está em uso no Cptec. A nova máquina pode processar 205 trilhões de cálculos por segundo. O supercomputador em operação no Cptec tem capacidade para proceder 768 milhões de cálculos por segundo. O equipamento também é considerado fundamental para o desenvolvimento do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global, que estudará todo o sistema climático (atmosfera, oceanos, vegetação, ciclos bioquímicos entre outros parâmetros).

Esse modelo permitirá ao país desenvolver estudos sobre os impactos do aquecimento global nas mudanças do clima no mundo e, especialmente, na América do Sul.

Hoje, o Brasil utiliza modelos estrangeiros que nem sempre retratam com fidelidade o território nacional. Esse trabalho é compartilhado com outras instituições de ensino e pesquisa do país e do exterior.