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Correio Popular online

Super-radar de tempestades será instalado na Unicamp

Publicado em 30 agosto 2016

Campinas centralizará um sistema inédito no Brasil de previsão imediata de tempestades intensas, que começa a operar a partir de 1º de outubro, com disponibilização de aplicativo gratuito para acompanhamento de locais de chuvas, vendavais, descargas elétricas e alagamentos. Com investimento de R$ 3,5 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, o SOS Chuva (Sistema de Observação e Previsão de Tempo Severo) terá como base um radar de dupla polarização capaz de entender os processos físicos no interior das nuvens, que será instalado na quinta-feira (1º) em uma área vizinha ao Museu Exploratório de Ciências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

“O nosso foco é melhorar a previsão entre 0h e 6h, que é um buraco que existe. Atualmente o que a gente tem é para o dia seguinte, mas sem precisão de quanto e onde, em qual bairro”, ressalta o coordenador geral do SOS Chuva e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o meteorologista Luiz Augusto Toledo. Segundo o especialista, existem radares semelhantes no país, no entanto será a primeira vez que um sistema será acoplado com um aplicativo — o Sigma Chuva. “Campinas foi escolhida por três fatores.

 

O primeiro é a parceria com a Unicamp, que tem a força intelectual. Segundo porque a região é extremamente plana e o radar tem uma cobertura sem obstruções. Terceiro porque a região é extremamente rica e com alta densidade populacional, produção agrícola e industrial.” O SOS Chuva terá a duração total de quatro anos, sendo que nos primeiros dois anos o radar fica em Campinas e depois segue até o Sul do País para uma campanha experimental internacional, para estudos de tempestades severas.

 

A pesquisadora do Cepagri Ana Ávila, que faz parte do comitê de organização com outros sete pesquisadores, afirma que o radar é o único capaz de perceber a formação de fenômenos como a microexplosão, registrada no início de junho em Campinas, e o tornado, que podem ser detectados no máximo com 20 a 30 minutos de antecedência. Atualmente, conforme a meteorologista, a previsão é feita com uma resolução muito baixa com base em radares instalados em São Roque, Bauru e Presidente Prudente. Para ela, outra vantagem do sistema é a proximidade com a população e o intuito é que o campineiro não saia de casa sem olhar o aplicativo. “As pessoas podem tirar fotos e mandar. É um sistema similar ao Waze (aplicativo de navegação e trânsito), em que as pessoas interagem enviando informações.” A coleta de dados será feita em um raio de 60 km do radar, que chega a 100 km de raio.

 

O projeto prevê sete sensores de raios que abrangem um raio de 20 km cada, um instalado na estação meteorológica do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) e os demais em órgãos parceiros em Americana, Engenheiro Coelho, Indaiatuba, Itatiba, Santo Antônio de Posse e Tuiuti. O SOS Chuva inclui ainda três disdrômetros, aparelhos que detectam a distribuição das gotas de chuva, sendo um nas proximidades, outro a 10 km e outro a 40 km, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, e dez pluviômetros na região do radar para ajustes. Também haverá nos arredores do radar um conjunto de 20 hail pad, que permite saber a ocorrência de granizo e o tamanho dele.

 

Outra concentração de aparelhos está na Esalq, que terá seis equipamentos fields mills conectados ao Sistema Brasileiro de Detecção de Descargas Atmosféricas para medir descargas elétricas, polaridade e intensidade, estações de superfície para adicionar informações aos modelos agrícolas e previsão a curto prazo, e três sensores GPS para eventos extremos.