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Diário do Litoral (Santos, SP) online

Super-frango pode levar humanidade à era pré-penicilina

Publicado em 26 abril 2015

É claro que a genética avançou e a indústria evoluiu, oferecendo alimentos mais eficientes para os animais e pintinhos naturalmente maiores, mas a utilização de antibióticos que induzem artificialmente o crescimento das aves é um realidade incômoda e perigosa. Estimativa da Universidade de Brasília apontam que 100% dos frangos produzidos no País em escala comercial recebem antibióticos para crescer mais rápido. Só os frangos caipiras criados soltos, ciscando no quintal (ou orgânicos como dizem os moderninhos), estão 100% limpos.

E essa prática não é ilegal, desde que sejam respeitados prazos para que a droga seja eliminada pelo organismo da ave antes dela ser abatida. Já os hormônios de crescimento estão proibidos no Brasil. O antibiótico é utilizado para diminuir a população de patógenos, agentes biológicos naturalmente presentes no intestino das aves. Com isso, os produtores conseguem melhorar a absorção do alimento e diminuem o tempo necessário para que o frango atinja o peso ideal para o abate.

Países como a Dinamarca, porém, proibiram o uso de antibióticos com essa finalidade. E nos Estados Unidos o consumo de aves livres desses medicamentos cresceu 34% em 2014, o que levou até a mais famosa rede de fast food a utilizar apenas o frango limpo em seus hambúrgueres.

O risco para o consumidor é o surgimento de bactérias cada vez mais resistentes aos 200 tipos de antibióticos desenvolvidos pela ciência, o que levaria a humanidade de volta à era pré-penicilina, desenvolvida por Alexander Fleming em 1928. Antes dela, as infecções eram a maior causa de mortes entre humanos.

No Brasil, desde 2006 o frango lidera o consumo entre as carnes, superando a bovina, a suína e os peixes. O País também é o maior exportador mundial da ave, vendendo para mais de 100 países, inclusive da União Europeia.

Na década de 1980, um frango era abatido com 1,5 kg, segundo o IBGE. Para isso, eram necessárias até nove semanas de engorda. Em 2012, ele já pesava 2,3 kg, em média, um salto de 50% no tamanho, e a permanência nas granjas caiu para 45 dias.

Sabores e aromas...

 

Pesquisadores do Centro de Pesquisa em Alimentos, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp), estão prestes a abrir caminho para que os queijos Minas Artesanal e Canastra possam ser vendidos fora de Minas Gerais.

 

...das montanhas...

 

Um estudo mostrou que é possível usar bactérias do bem para combater a Listeria monocytogenes, que contamina produtos lácteos. Chamadas de bacteriocinas, elas inibem a multiplicação da Listeria, que pode levar até à morte.

 

...de Minas Gerais...

 

Patrimônio imaterial do Brasil e produzidos desde o século 18, o Minas Artesanal e o queijo da Serra da Canastra têm o sabor e o aroma das montanhas de Minas Gerais porque são feitos com leite cru, ou seja, antes da pasteurização.

 

... proibidos em SP

 

Essa característica amplia o risco de contaminação bacteriana e cria restrições para que esses queijos com sabor único no mundo sejam vendidos em outros estados. A primeira lei proibindo o trânsito deles é de Getúlio Vargas, em 1952.

 

Filosofia do campo:

 

Ser mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer. É fingir que não sabe aquilo que sabe. É falar pouco e escutar muito. É passar por bobo e ser inteligente. É vender queijos e possuir bancos, Fernando Sabino (1923/2004), escritor e jornalista mineiro.