Notícia

Jornal da USP

Sucesso antecipado

Publicado em 22 maio 2011

Por Paulo Hebmüller

Aproximadamente 2 mil docentes da USP se mobilizaram para apresentar 122 propostas ao Programa de Incentivo à Pesquisa, lançado pela Reitoria em outubro do ano passado e cujos resultados foram divulgados no final de abril. Para o pró-reitor de Pesquisa da USP, Marco Antonio Zago, por si só esse número, que representa cerca de um terço dos docentes da Universidade, merece ser comemorado. "Uma parcela importante do resultado que buscávamos já foi alcançada. Esses professores procuraram se reorganizar e encontrar novas vias de trabalho", diz. "O programa contribuiu para a maior coesão dos grupos e maior discussão da temática da pesquisa dentro da Universidade."

Inicialmente, o Programa de Incentivo à Pesquisa da USP previa uma verba de quase R$ 50 milhões a ser distribuída em três diferentes categorias: os grupos consolidados (que seriam no máximo 15), os grupos promissores (no máximo 12) e os chamados centros de instrumentação (até quatro). A comissão avaliadora, composta por 22 professores convidados de universidades brasileiras e estrangeiras, selecionou as 31 propostas, mas recomendou ainda outras 12 por considerá-las de alta qualidade. Zago levou o "problema" ao reitor João Grandino Rodas, que aumentou a verba do programa para R$ 70 milhões. Assim, foram contempladas 22 propostas na primeira categoria, 14 na segunda e sete na terceira, num total de 43.

Uma das exigências do edital era que os grupos fossem constituídos de forma multidisciplinar. A razão para isso, de acordo com o pró-reitor, era estimular a coesão e a conexão entre grupos que tratam de tópicos similares. O instrumento utilizado para essa integração será o dos Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAPs), que já existe na USP - é o caso do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) -, mas que pode ser usado de forma mais intensiva, defende Zago. "O NAP é a melhor e mais fácil maneira de transferir recursos e de ter governança", explica o professor.

Impacto - O espectro das propostas aprovadas é amplo e passa por todas as áreas do conhecimento. Um dos grupos, por exemplo, coordenado pelo professor José Álvaro Moisés, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), vai fazer um balanço crítico dos 25 anos do retorno do Brasil à democracia. Oceano sustentável é o tema de outro, coordenado por Belmiro Mendes de Castro Filho, do Instituto Oceanográfico (IO). Mudanças climáticas, robótica, novas abordagens em reabilitação de lesões encefálicas, inovação e competitividade e pesquisa sobre o câncer estão entre os projetos que receberão financiamento da USP.

Um exemplo de multidisciplinaridade que envolve pesquisadores de diversas unidades é o NAP sobre bioenergia e sustentabilidade, coordenado pelo professor Antônio Roque Dechen, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba. O grupo reunirá também integrantes de unidades em São Paulo, São Carlos, Lorena e Ribeirão Preto, ocupando-se desde os aspectos físicos, químicos e tecnológicos na produção de cana e biomassa até seus impactos sociais e econômicos. "Esse é um tema que interessa enormemente ao Estado de São Paulo. Tanto que o governo criou o Programa Paulista de Bioenergia e dentro dele transferiu R$ 20 milhões para a USP", diz Zago.

Para o pró-reitor, o programa é a demonstração clara de que a USP está interessada em participar ativamente da pesquisa realizada na Universidade. Mais do que aumentar a quantidade de publicações, afirma, a busca é por ampliar sua qualidade e seu impacto.Infraestrutura - Cada grupo terá um conselho e um coordenador que responderá à Pró-Reitoria. As verbas serão destinadas por um período de dois anos e começarão a ser liberadas assim que os trâmites burocráticos permitirem. Os resultados serão aferidos por meio de relatórios parciais e um final, a ser entregue três anos após o início do trabalho. Zago espera que a maioria dos núcleos se mantenha por cinco a dez anos, mas salienta que a continuidade do financiamento dependerá das próximas gestões reitorais.

Para o pró-reitor, o programa é pioneiro entre as universidades brasileiras porque a verba é destinada pelo orçamento da própria instituição. Isso não significa, evidentemente, desprezar a massa de recursos investida pelas agências de fomento nacionais e estrangeiras. No caso da USP, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) destina anualmente cerca de R$ 350 milhões, enquanto outros R$ 150 milhões vêm do Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Se contabilizados todos os gastos do orçamento da Universidade que envolvem o trabalho em pesquisa, considera o professor, o volume chega a cerca de R$ 1,4 bilhão por ano. São recursos para manutenção de laboratórios, contratação de técnicos, água, luz, telefone, salários etc. "Em geral os pesquisadores não se dão conta disso porque acham que faz parte de sua vida diária e só contabilizam como recurso para pesquisa o adicional que vem das agências", explica. A diferença, compara, é que todo o suporte é mantido pela USP, enquanto nas instituições estrangeiras essa infraestrutura vem dos recursos que o docente obtém de outras fontes.

A lista dos contemplados pelo Programa de Incentivo à Pesquisa está disponível no site da Pró-Reitoria de Pesquisa, em www.usp.br/prp/arquivos_pdf_ doc_xml/Resultado_Edital1.pdf

USP Leste pode receber novos cursos

Está em fase de estudos preliminares a possibilidade de implantação de cursos da Escola Politécnica e da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP no Campus Leste da Universidade, que abriga a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH). De acordo com o diretor da Poli, José Roberto Cardoso, a opção de transferir um curso está em estudo devido às possibilidades de expansão e ao espaço moderno à disposição da USP Leste.

No início de abril, Cardoso fez uma visita ao diretor da EACH, Jorge Boueri. "Estamos desenvolvendo alguns projetos que possam permitir uma aproximação entre as duas unidades. É uma parceria de cooperação, que visa a abranger os cursos de graduação e de pós-graduação da EACH", disse o diretor da Poli. Já a FEA analisa a criação de um curso voltado à área de administração pública.

Em comunicado divulgado no dia 2 de maio, a direção da EACH informou que "essas ações são de responsabilidade das respectivas unidades" (Poli e FEA). Esses novos cursos, continua o comunicado, "caso venham a ser instalados, não farão parte da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, serão extensões de unidades existentes no Campus Butantã e não estarão sob a coordenação pedagógica e administrativa desta direção".