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Substância isolada da Ayahuasca estimula nascimento de neurônios

Publicado em 08 dezembro 2016

A Ayahuasca é uma bebida sagrada e alucinógena utilizada há séculos em cerimônias religiosas por mais de 400 povos indígenas sul-americanos e, mais recentemente, também por seguidores urbanos da doutrina Santo Daime. Sob o interesse da ciência, a bebida tem sido examinada para maior compreensão dos seus efeitos. Já foi constatado, por exemplo, a partir de estudos feitos com animais, que a harmina, um dos seus principais componentes, depois de extraído e concentrado em laboratório, oferece potencial terapêutico contra a depressão e a ansiedade.

Agora, novos trabalhos empreendidos por pesquisadores do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ) sugerem que a harmina pode ter ainda mais alguns efeitos para a saúde humana, especialmente na regeneração das células nervosas.

Para investigar a ação da harmina sobre células neurais humanas, os pesquisadores expuseram algumas células geradoras de neurônios humanos produzidas em laboratório à substância, obtida da Ayahuasca por meio de processos químicos. Após quatro dias em contato com as células, a  harmina aumentou a proliferação dessas células precursoras de neurônios humanos em mais de 70%.

Os cientistas do Idor e do ICB-UFRJ também foram capazes de identificar como as células neurais humanas respondem à harmina. O efeito depende da inibição de uma determinada proteína conhecida como DYRK1A.  “Sabíamos que o efeito de antidepressivos está associado ao estímulo da neurogênese em roedores. Resolvemos testar se harmina, presente em grandes quantidades na ayahuasca, faria o mesmo sobre células neurais humanas”, afirma Vanja Dakic, estudante de doutorado e uma das autoras do estudo.

“Nossos dados demonstram que a harmina é capaz de gerar novas células neurais humanas, semelhantemente ao observado com medicamentos antidepressivos disponíveis no mercado mas cujos efeitos colaterais são muitas vezes indesejáveis”, sugere Stevens Rehen, cientista renomado e pesquisador do IDOR e ICB-UFRJ. O trabalho acaba de ser publicado pela revista científica norte-americana PeerJ e foi realizado com o financeiro das agências brasileiras de fomento Faperj, CNPq, Capes, Finep, BNDES e Fapesp.

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