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Substância isolada da Ayahuasca estimula nascimento de neurônios, afirmam cientistas brasileiros

Publicado em 09 dezembro 2016

Por DA REDAÇÃO

Pesquisadores do Rio de Janeiro divulgaram recentemente que descobriram propriedades regenerativas da harmina, um componente específico da bebida alucinógena Ayahuasca, isolada em laboratório. Conforme os cientistas brasileiros, a substância ajuda na multiplicação e desenvolvimento das células nervosas.

 

A Ayahuasca é uma bebida sagrada e alucinógena utilizada há séculos em cerimônias religiosas por mais de 400 povos indígenas sul-americanos e, mais recentemente, também por seguidores urbanos da doutrina Santo Daime.

 

A bebida é foco de recorrentes pesquisas para maior compreensão dos seus efeitos. Já foi constatado, por exemplo, a partir de estudos realizado com animais, que a harmina, um dos seus principais componentes, depois de extraído e concentrado em laboratório, oferece potencial terapêutico contra a depressão e a ansiedade.

 

Mais recentemente, novos estudos concluídos por pesquisadores do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ) sugerem que a harmina pode ter ainda mais alguns efeitos para a saúde humana, especialmente na regeneração das células nervosas.

 

Para investigar a ação da harmina sobre células neurais humanas, os cientistas expuseram algumas células geradoras de neurônios humanos produzidas em laboratório à substância, obtida da Ayahuasca por meio de processos químicos. Após quatro dias em contato com as células, a  harmina aumentou a proliferação dessas células precursoras de neurônios humanos em mais de 70%.

 

 

Inibição de uma proteína

 

Os pesquisadores do Idor e do ICB-UFRJ também foram capazes de identificar como as células neurais humanas respondem à harmina. O efeito depende da inibição de uma determinada proteína conhecida como DYRK1A.  “Sabíamos que o efeito de antidepressivos está associado ao estímulo da neurogênese em roedores. Resolvemos testar se harmina, presente em grandes quantidades na ayahuasca, faria o mesmo sobre células neurais humanas”, detalha Vanja Dakic, estudante de doutorado e uma das autoras do estudo.

 

“Nossos dados demonstram que a harmina é capaz de gerar novas células neurais humanas, semelhantemente ao observado com medicamentos antidepressivos disponíveis no mercado mas cujos efeitos colaterais são muitas vezes indesejáveis”, sugere Stevens Rehen, cientista renomado e pesquisador do IDOR e ICB-UFRJ.

 

Publicação

O trabalho acaba de ser publicado pela revista científica norte-americana PeerJ e foi realizado com o apoio financeiro das agências brasileiras de fomento Faperj, CNPq, Capes, Finep, BNDES e Fapesp.

 

Com informações do portal brasileiros.com.br