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Ricardo Alfonsin Advogados

Startups conquistam até grandes indústrias

Publicado em 13 junho 2016

A agilidade e espírito empreendedor das startups não têm passado despercebido pela indústria do agronegócio. Grandes nomes do setor criaram nos últimos anos braços de investimentos para o empreendedorismo, na tentativa de sair na frente ou minimizar o risco de deixar escapar alguma inovação para a concorrência.

Nos EUA, meia centena de startups já são financiadas, ainda que parcialmente, pela indústria. A Syngenta Ventures diz ser uma das mais ativas nesse sentido, tendo já ter investido mais de US$ 100 milhões desde 2006 na América do Norte, Europa, Ásia e Austrália. "Queremos empresas em estágio inicial com potencial para ajudar no aumento de produtividade no campo", diz em seu site. Seis profissionais foram destacados para identificar potenciais candidatos.

Levantamento realizado pela empresa americana AgFunder mostra que os investimentos em 499 startups do agronegócio somaram US$ 4,6 bilhões em 2015, contra US$ 2,3 bilhões no ano anterior. Empresas voltadas ao e-commerce de alimentos, irrigação e robótica puxaram os aportes.

Colocar dinheiro pressupõe assumir riscos: por diferentes motivos, a grande maioria dessas startups não sobrevivem. Para quem aposta certo, no entanto, os ganhos em inovação e tempo compensam qualquer investimento.

Por estarem focadas em soluções para a agricultura do Hemisfério Norte, as gigantes químicas e de sementes ainda não desenvolveram braços para atender a demanda do empreendedorismo brasileiro. Rosana Jamal Fernandes, sócia da Baita Aceleradora, de Campinas, diz que grande parte dos aportes no país ainda sai via fomentos governamentais -Fapesp, Finep, Desenvolve SP. Na escala de gradação, vem depois os investidores anjos (pessoas físicas que fazem aportes iniciais), "seed capital" (a primeira camada de investimento acima do investidor anjo, normalmente de R$ 500 mil a R$ 2 milhões) até a entrada dos fundos de venture capital (R$ 2 milhões a R$ 10 milhões em empresas que já faturam alguns milhões).

A efervescência do empreendedorismo no campo pode ser medida através do número de eventos que tentam conectar startups ao venture capital e à fazenda. Apenas em 2016, seis grandes encontros foram realizados nos EUA. Os painéis abordam desde o aspecto legal da inovação a soluções em nuvem, soluções móveis, análise de "big data" e as parcerias governo-indústria-academia.

De São Paulo

Fonte : Valor