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Startups apoiadas pela Fapesp concluem treinamento em inovação

Publicado em 29 junho 2018

O Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) desenvolveu um kit com formulação clínica para tratamento de câncer de próstata, em parceria com a Medicina Nuclear Campinas (MND), empresa de serviços em diagnóstico por imagem.

O pacote tem como base a proteína PSMA marcada com lutécio 177, o que, segundo os especialistas, pode não solucionar a doença por completo, mas auxilia na qualidade de vida dos pacientes. O projeto prevê que, durante o treinamento, cada empresa realize algo em torno de uma centena de entrevistas com potenciais clientes.

“A ideia não é vender a solução ao cliente, mas melhorar a proposta de valor em seu plano de negócio”, explica o coordenador e diretor-adjunto Hélio Graciosa. A empresa testou o plano de negócios durante o 7º Treinamento em Empreendedorismo de Alta Tecnologia, junto com outras 20 startups.

O objetivo é alinhar os projetos às demandas do mercado, aumentando as suas chances de sucesso. “Esse tratamento não cura o câncer, mas aumenta a sobrevida do paciente”, diz Celso Dario Ramos, especialista em medicina nuclear e diretor administrativo da MND Campinas.

Durante as oito semanas do treinamento, a MND realizou 115 entrevistas com pacientes, médicos, empresas fornecedoras de insumo radioativo e definiu estratégias para contornar “barreiras” previamente identificadas para a implementação do negócio.

Como a empresa já tem permissão para trabalhar com material radioativo, o principal obstáculo estava na autorização da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Já estamos prontos para fazer o primeiro teste de marcação. A Anvisa pode ser uma barreira no futuro. Mas, antes, vamos demonstrar os benefícios do tratamento”, explica Celso Dario Ramos.

Metodologia

O treinamento tem como base o programa I-Corps, concebido por Steve Blank, referência mundial nas abordagens Lean Startup e Customer Development, e adotado pela National Science Foundation (NSF) e National Institute of Health (NIH), entre outras agências federais norte-americanas.

A metodologia do I-Corps inverte a lógica que, em geral, orienta as abordagens para mercado. “O foco está no cliente”, ressalta Flávio Grynszpan, membro da Coordenação da Área de Pesquisa para Inovação da Fapesp e um dos coordenadores do programa. A abordagem reduz riscos de fracasso e aumenta as chances de sucesso da iniciativa. “No caso de insucesso, a metodologia permite que se limite o tempo e o investimento despendidos antes de a empresa abandonar o negócio”, acrescenta.

Cada empresa participante do Treinamento em Empreendedorismo de Alta Tecnologia forma uma equipe com dois representantes, apoiada por um mentor e um comentor indicados pela Fapesp. Empresários com experiência de negócios e conhecimento do mercado, que acompanham e orientam as equipes participantes do programa sem qualquer custo para a Fundação.

“O sucesso de empresas de base tecnológica é fundamental para renovar a estrutura industrial de São Paulo e do País e para dar mais densidade tecnológica às empresas”, afirma Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente da Fapesp, à plateia.

Do Portal do Governo