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Startup usa 3D para simular comportamento de fluidos e evitar acidentes na indústria

Publicado em 12 novembro 2018

A Tau Flow simula a interação entre diferentes fluidos, como gases e óleos, ou deles com o ambiente em que estão armazenados. Com um software, a startup curitibana faz uma espécie de protótipo digital 3D de máquinas e projetos industriais e estuda o comportamento de substâncias. Assim, identifica possíveis falhas no planejamento das estruturas e ajuda a evitar vazamentos, contaminação e outros acidentes.

A tecnologia pode ser aplicada em instalações que liberam ou contenham fluidos, como nos setores de construção civil, mineração e petroquímica. A startup pode atuar durante todo o desenvolvimento de projetos industriais, algo capaz de levar meses ou anos. Desde que começou a operar, em 2016, a empresa atendeu oito clientes.

Um deles foi a varejista online Amazon, que a contratou para melhorar o sistema térmico de um galpão de logística em Cajamar, São Paulo. O intuito era tornar mais agradáveis e propícias as condições climáticas do local. Para isso, a empresa estudou o comportamento da temperatura e dos fluxos de ar de forma a propor adequações.

Outro cliente foi a empresa alemã de tecnologia Haver & Boecker, que a procurou para atuar em uma filial no Canadá. O objetivo era acompanhar um equipamento de mineração. A estrutura estava mostrando falhas devido aos vapores contaminantes que estavam se impregnando em parte do aparelho. A startup precisou entender o comportamento destas substâncias para definir uma solução para o problema.

O custo de contratação dos serviços varia conforme a complexidade do projeto e sua duração.

Desde a sua fundação, em 2015, a startup recebeu cerca de R$ 500 mil em investimentos. O valor inclui um aporte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A empresa participou ainda do ciclo 2016 do programa de aceleração de negócios InovAtiva Brasil, promovido pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O objetivo da startup é melhorar o layout das estruturas que comportam fluidos ou apontar soluções que lidem melhor com as substâncias. O resultado das análises pode mostrar, por exemplo, como eliminar vapores e impurezas indesejados. Além disso, a Tau Flow indica como evitar o vazamento de fluidos e conflitos com os equipamentos que os armazenam.

“Se tiver um tanque de armazenagem com um fluido e este local tiver dispersão de gases, por exemplo, a gente consegue dimensionar essa expansão”, explica o diretor executivo, Marcílio Caetano.

Em alguns casos, para coletar as informações, a empresa considera dados físicos e químicos de embasamento teórico, como livros de engenharia. Em outros, desloca uma equipe até o projeto e faz as medições de componentes da infraestrutura e das substâncias.

O software leva em conta velocidade, pressão e temperatura dos fluidos e da estrutura do projeto, a chamada fluidodinâmica computacional. Após receber a planta dos locais ou equipamentos, a tecnologia associa isso aos dados físicos e químicos dos fluidos e faz a simulação.

Com isso, simula atrito e expansão de diferentes materiais, além de projetar a movimentação e a velocidade de máquinas e equipamentos. Para cada projeto, a startup considera diferentes tipos de estruturas, dimensões e fluidos.

Para 2019, a startup pretende finalizar uma pesquisa que está desenvolvendo junto à Fapesp. O resultado será um novo produto que terá a promessa de controlar ambientes climatizados. Então, além de entender o comportamento dos fluxos de ar, a companhia pretende exercer controle sobre os processos. A Tau Flow não revela o faturamento atual, mas espera triplicar o valor dentro de dois ou três anos.