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Startup Nanox, em conjunto com a empresa Elka, criam máscara fungicida e bactericida para combater o Covid-19

Publicado em 01 maio 2020

Por Tainah Véras, da Agência Unesp de Inovação

Durante o enfrentamento de pandemias, uma das necessidades primordiais é minimizar o risco de contaminações especialmente entre os indivíduos com imunidade baixa.

Atentos a esse cenário e pioneiros no desenvolvimento de materiais inteligentes utilizando a nanotecnologia, Gustavo Simões e Daniel Minozzi, fundadores da startup Nanox e egressos da Unesp, criaram, em conjunto com a empresa Elka, a Oto®, máscara antimicrobiana reutilizável, em polímero flexível, semelhante a uma borracha, que permite que o equipamento se molde aos contornos do rosto.

“A máscara conta com a tecnologia patenteada NanoxClean. Essa tecnologia tem como base a prata, antimicrobiano natural de amplo espectro com eficiência comprovada há vários anos contra fungos e bactérias, seguindo normas e protocolos nacionais e internacionais que atestam a segurança em humanos.

Parceria

Fabricante de brinquedos, a Elka reativou o parque fabril que estava parado em função da pandemia e iniciou o desenvolvimento das máscaras. A capacidade de produção é de 200 mil máscaras por mês e a expectativa é atender inicialmente ao mercado nacional, com custo unitário estimado entre R$ 20,00 e R$ 30,00. A entrega das primeiras unidades ocorrerá no dia 12 de maio, e será feita a doação de até 10% da produção para instituições de saúde”, destaca Gustavo Simões, CEO da Nanox.

Ainda segundo Gustavo, a relevância da máscara especialmente no contexto atual ocorre pois a eficácia da prata contra vírus como o COVID-19 tem se mostrado bastante promissora em diferentes estudos científicos, pois o principal diferencial do material em relação a antimicrobianos tradicionais é que a eliminação dos microrganismos ocorre através de processos de oxidação; sabendo que os vírus, assim como os fungos e bactérias, possuem uma capa lipídica em sua composição, os ativos conseguem oxidar essa camada.

“O desafio de ter a comprovação da eficácia contra todos os tipos de vírus em testes específicos é maior por conta da variabilidade genética desses organismos, mas como a inovação é parte do DNA da nossa empresa, nossa meta é zelar pela saúde e reduzir os processos de contaminação de maneira geral no Brasil e no mundo, sejam eles bacterianos, fúngicos e agora virais, através das soluções tecnológicas, seguras e naturais que oferecemos ao mercado”.

Trajetória

A dedicação em melhorar a vida das pessoas idealizando e comercializando recursos como a Oto® começou a ganhar forma em 2004. Ao longo da trajetória de mais de 15 anos, a Nanox já conquistou diferentes prêmios e possui um histórico de mais de 200 clientes atendidos no Brasil e em outros 13 países. A empresa reúne parceiros nacionais e internacionais e uma equipe multidisciplinar capacitada em Centros de Pesquisa de amplo reconhecimento a fim de desenvolver, produzir e comercializar aditivos que utilizam a nanotecnologia para obter propriedades bactericidas, fungicidas, algicidas e inseticidas com aplicação em polímeros, plásticos, embalagens, roupas, tapetes, metais, e até mesmo na construção civil.

Gustavo atribui grande parte do sucesso da empresa ao tripé formado por: paixão pelo Empreendedorismo e pela Inovação; Ciência produzida através do conhecimento disseminado nas universidades; Investimentos viabilizados tanto por órgãos de fomento como a Fapesp e a Finep quanto por fundos e aceleradoras. Ele destaca: “Sempre utilizamos esses pilares para transformar a ciência em desenvolvimentos tecnológicos que resolvam problemas reais. Acreditamos na qualidade dos talentos humanos que formamos no Brasil, na infraestrutura que temos nas universidades, e sempre promovemos pontes entre a academia e o mercado”.

Sobre essas pontes, Gustavo destaca de maneira bastante positiva o crescimento de abordagens e oportunidades ligadas ao empreendedorismo e à inovação que têm se fortalecido no ecossistema da Unesp, tendo inclusive participado como convidado do II EI! (Encontro de Empreendedorismo e Inovação) realizado no campus de Araraquara em 2019.

“Tenho muito orgulho por ter feito mestrado e doutorado na Unesp e vejo que os alunos de graduação e pós-graduação da universidade estão cada vez mais conscientes sobre a importância de pensar nas aplicações e no custo benefício dos projetos de pesquisa para resolver desafios da sociedade. É fundamental que isso se intensifique e que as pessoas consigam tirar seus estudos do papel para construir novas fontes de renda e de desenvolvimento econômico, social e tecnológico. Afinal, uma das maiores lições que o enfrentamento da pandemia do covid-19 nos deixa é que tudo que imaginávamos em termos de segurança e estabilidade é frágil. As relações de emprego estão mudando, os problemas que temos que resolver estão cada vez mais complexos e, nesse contexto, temos que usar o conhecimento, a inteligência e a criatividade construídos durante nossa formação para criar e manter negócios que façam a diferença no dia a dia. Empreender a partir do que é aprendido na universidade vale a pena, é necessário, e pode ajudar a construir um futuro cada vez mais promissor para o nosso país”, afirma Gustavo.

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