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Startup e hospital das Clínicas testam remédio digital para dor de artrose

Publicado em 03 outubro 2018

Ao invés de tomar um comprimido para a dor, o físico Marcelo Sousa, fundador da Bright Photomedicine, criou um remédio digital e quer que as pessoas se curem com luz.

Para fazer o projeto acontecer, Sousa fundou uma startup com um capital inicial de 200 mil reais. O pesquisador também recebeu 600 mil reais de investidores interessados no produto, além de 1 milhão de reais da Fapesp para desenvolver sua pesquisa. Para ir ainda mais longe, a empresa está com um financiamento coletivo aberto a quem quiser colaborar com os estudos do remédio digital.

Doutor em fotoneuromodulação (área que estuda os efeitos da luz nos neurônios), Marcelo afirma que tem uma relação próxima com a academia . A decisão de abrir uma empresa para desenvolver o remédio digital aconteceu para que os testes acontecessem mais rápido e pudessem abranger um público maior. O pesquisador também espera que o dispositivo possa ser comercializado em farmácias um dia.

Assim como o organismo reage para combater a dor quando recebe uma substância química, o corpo deve reagir ao receber luz do aparelho desenvolvido pela empresa de Sousa.

Quando a região afetada pela dor recebe a luz, as células reagem à dor e passam a produzir remédios para combatê-la.

“Já se sabe que a luz tem um efeito anti inflamatório e antioxidante, ela age no sistema nervoso central aumentando a produção de substâncias analgésicas”, afirma Hazem Ashmawi, médico especialista em dor do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo.

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Segundo Sousa, seu produto é capaz de tratar 90% dos tipos de dores, inclusive dores crônicas, um problema que atinge 37% dos brasileiros, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). No mundo, de acordo com Hazem, estima-se que 25% a 30% da população mundial sofra com dor crônica.

Visando amenizar o problema da dor, um ensaio clínico será feito com pacientes que sofrem com artrose no HC no início de 2019.

Os pacientes serão divididos em três grupos de 30 indivíduos: um de pessoas saudáveis, outro de pessoas com a doença que receberão o tratamento com o dispositivo e o último receberá um placebo.

“A artrose causa dor e inflamação e um desgaste na cartilagem. A gente envia um remédio digital de luz que é capaz de tratar esses três problemas”, explica Sousa.

Os pacientes receberão dez aplicações do remédio digital durante o tratamento. “Queremos ver se o remédio diminui a dor e a funcionalidade do paciente”, diz Ashmawi.

São dois fatores que determinam a dose de remédio digital para cada paciente: as características da doença que está sendo tratada e as características do paciente, como cor de pele, peso, idade e gênero.

A artrose é uma doença que atinge principalmente a população idosa e causa limitação de movimento, dor e inflamação. Preocupados com o avanço da doença causado pelo envelhecimento da população, a equipe de Sousa e do HC espera poder oferecer uma solução.

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“É uma doença que não tem soluções de tratamento pela medicina”, afirma Ashmawi. O remédio digital, no entanto, não promete uma cura. “É um tratamento para dor e perda de função”, explica.

“É um tratamento complementar ao analgésico”, afirma Sousa.

Os especialistas, no entanto, estão otimistas. Estudos iniciais da Bright Photomedicine apresentaram resposta positiva com 80% dos pacientes que sofriam com diversos tipos de dores crônicas.

Sem efeitos colaterais

O aposentado Marcos Salles, 82 anos, foi um dos pacientes que participou dos testes em abril. “Tenho um problema no joelho e ando de muletas, já fiz todo tipo de tratamento e até cirurgia”, conta.

Há mais de 20 anos, Salles sentia dor a todo momento. “Tudo o que existe de remédio eu já tomei, até aquele que matou o Michael Jackson”, diz.

Desde que passou pelo tratamento com a fototerapia, no entanto, Salles não toma mais nenhum analgésico para a dor no joelho. “Não sentir dor é uma maravilha”, afirma.

Por conta da quantidade de remédios, Salles acredita que seu organismo sofreu além da dor. “Meu rim já deve ter ido embora.”

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Evitar efeitos colaterais provocados pelo consumo excessivo de medicamentos a quem sente dor é um dos objetivos do remédio digital.

Existe uma tendência na medicina a propor tratamentos menos medicamentosos para a população idosa, explica Ashmawi. “O melhor remédio para inflamação da artrose é o anti inflamatório. só que no idoso tem seus riscos, pode ter lesão de rim, lesão intestinal, aumenta a chance de ter infarto”, diz. “É uma população mais complicada do ponto de vista de uso de medicamentos. Por isso, propor tratamentos que poupam o organismo é melhor.”

Na contramão de quem consome remédio demais, Sousa espera ajudar também aqueles que não têm acesso a medicamentos. “O Brasil tem esses dois problemas e a fotomedicina entra com esse duplo papel”, afirma.

O físico espera que quem gasta demais com remédios possa economizar. O tratamento de dez doses do remédio digital, que dura em média dois meses, custará de 300 a 600 reais.