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Startup e Hospital das Clínicas desenvolvem remédio solar para dores crônicas

Publicado em 05 outubro 2018

Os dias dos comprimidos para dor estão contados. Isso porque um brasileiro criou um remédio digital capaz de curar as pessoas com nada menos do que luz. Esta é a ideia do físico Marcelo Souza, fundador da startup Bright Photomedicine, em parceria com o Hospital das Clínicas, em São Paulo.

O pesquisador recebeu R$ 600 mil de investidores, além de mais R$ 1 milhão da Fapesp para o desenvolvimento do projeto. Além do montante, a startup conta ainda com um financiamento coletivo para ampliar a viabilidade da ideia.

Marcelo é doutor em fotoneuromodulação, uma área que estuda que tipos de efeitos a luz pode causar nos neurônios. Segundo o médico, o corpo deve reagir ao receber luz do aparelho criado da mesma forma como ele reage no combate a uma dor. Quando o local machucado recebe luz, as células passam a produzir remédios capazes de diminuí-la.

“Já se sabe que a luz tem um efeito anti inflamatório e antioxidante, ela age no sistema nervoso central aumentando a produção de substâncias analgésicas”, conta Hazem Ashmawi, médico especialista em dor do Hospital das Clínicas de São Paulo, em entrevista ao portal Exame.

De acordo com Souza, o produto pode auxiliar em 90% dos tipos de dores, sejam elas crônicas ou não. Segundo Hazem, entre 25% a 30% da população mundial possui algum tipo de dor crônica sem tratamento. O ensaio clínico do projeto será realizado em 2019 no Hospital das Clínicas no início do ano que vem com pessoas que sofrem de artrose. Pacientes serão divididos em três grupos de 30, sendo um de pessoas saudáveis, outro com doença capaz de ser tratada pelo dispositivo e um terceiro que receberá um placebo.

“A artrose causa dor e inflamação e um desgaste na cartilagem. A gente envia um remédio digital de luz que é capaz de tratar esses três problemas”, contou Souza. “Queremos ver se o remédio diminui a dor e a funcionalidade do paciente”, continuou Ashmawi.

A escolha da artrose ocorreu pelos seus sintomas e pelo aumento da população idosa, maior vítima da condição. Apesar de combater os sintomas, o remédio solar não é capaz de acabar com a doença. “É uma doença que não tem soluções de tratamento pela medicina. É um tratamento para dor e perda de função”, explica Hazem.

A pesquisa inicial da Bright Photomedicine deixou seus idealizadores otimistas. Cerca de 80% dos pacientes que sofriam algum tipo de dor crônica e receberam o novo tratamento apresentaram resposta positiva.

A ideia é que, caso aprovado, o medicamento seja disponibilizado em farmácias e hospitais. Souza acredita que o tratamento pode ajudar os idosos a economizarem, já que atualmente os remédios têm sofrido alta no preço. Segundo o médico, o tratamento de dez doses custará entre R$ 300 a R$ 600.