Notícia

LabNetwork

Startup do Cietec desenvolve teste totalmente nacional de diagnóstico da Covid-19

Publicado em 02 julho 2020

Por Eduardo Geraque | Pesquisa para Inovação

Teste de baixo custo e alto desempenho visa gerar kits para a detecção de anticorpos contra o novo coronavírus no soro sanguíneo

A Biolinker é uma das empresas incubadas no Cietec, onde são conduzidos processos de incubação de empresas inovadoras, em diferentes níveis de maturidade. Foto: Divulgação

A Biolinker, startup de biotecnologia residente na Incubadora USP/Ipen-Cietec está desenvolvendo um teste de diagnóstico para a Covid-19, de baixo custo e alto desempenho, com insumos totalmente nacionais. O objetivo da ação é gerar kits padronizados de reação de ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) para a detecção de anticorpos circulantes IgG, produzidos em uma fase mais tardia da doença, no soro de pacientes. O teste completo deve ficar pronto em três semanas e o pedido de registro ocorrerá até o final de julho deste ano.

A detecção de IgG no soro dos pacientes será feita por meio de antígenos do nucleocapsídeo N – fração antigênica da proteína da superfície do SARS-CoV-2, usada pelo novo coronavírus para se conectar a um receptor nas células humanas, a proteína ACE2 – e infectá-las. Trata-se de um ensaio que poderá ser usado em qualquer lugar para a triagem epidemiológica da doença.

Tecnologia

Por meio de um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Biolinker conseguiu desenvolver e validar, ao longo dos últimos dois anos, um aptâmero, peptídeo que se liga a uma molécula-alvo, que mostrou alta afinidade e especificidade à fração constante de anticorpos IgG humanos. A startup pretende usá-lo de forma conjugada com a biotina (que funciona como coenzima no metabolismo de purinas e carboidratos) para a detecção de IgG.

Os testes serão viabilizados por meio desta tecnologia que usa um sistema in vitro de transcrição e tradução, ou seja, livre de células, para acelerar e otimizar processos de produção de proteínas. Por meio desta solução, os pesquisadores da startup já desenvolveram uma proteína que está sendo testada. De acordo com Mona das Neves Oliveira, co-founder da Biolinker, os custos de produção do teste serão baixos porque a produção tanto dos aptâmeros como dos antígenos, pelo método sem a presença de células, são econômicos. “Além disso, já possuímos plasmídeos, moléculas duplas de DNA com capacidade de reprodução, próprios para expressão das proteínas e protocolos de produção bem estabelecidos”, informa.

Segundo a pesquisadora, a empresa já está em negociação com grupos interessados em fabricar os testes, depois que estiverem 100% calibrados e prontos para serem usados na população em larga escala. “Os testes estão funcionando muito bem. Já produzimos a proteína e agora estamos tratando de purificá-la ao máximo para evitar qualquer tipo de falso-positivo ou negativo”, afirma Mona.

Além do sistema livre de células, a startup também está trabalhando com as formas tradicionais de produção de proteínas para comparar e verificar qual tipo de produção apresenta melhor antigenicidade.

Projeto

O projeto foi um dos seis primeiros selecionados em um edital lançado pelo PIPE-Fapesp em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para apoiar o desenvolvimento de produtos, serviços ou processos criados por startups e pequenas empresas de base tecnológica no Estado de São Paulo, voltados ao combate da Covid-19.

“A Biolinker é uma prova de que o nosso investimento e incentivo contribuem para o desenvolvimento de produtos ou serviços de base tecnológica em benefício da sociedade, especialmente, neste momento de combate à pandemia. Ficamos muito orgulhosos com a seleção da Biolinker neste edital e esperamos que os testes fiquem prontos rapidamente para agilizar o combate da doença”, afirma Sergio Risola, diretor-executivo do Cietec.

De acordo com a professora Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina (FM) da USP, que é parceira do projeto, este tipo de iniciativa no Brasil é muito importante. “No começo da pandemia, por exemplo, não tínhamos capacidade de fazer testes diagnósticos por sermos muito dependentes de fora. As pessoas precisam ver a necessidade de grupos trabalhando e tendo estes testes por aqui”, explicou.

Ester, que também liderou o sequenciamento do novo coronavírus no Brasil, participa do projeto na área de amostras. “Para o desenvolvimento destes testes são necessárias boas amostras, que você sabe o que são e o que elas contêm, se não a empresa fica com dificuldade no desenvolvimento. Tanto a parte diagnóstica como clínica precisam andar juntas”, detalhou. Com informações da USP