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Startup desenvolve telha hidropônica para facilitar o cultivo de alimentos em telhados verdes

Publicado em 28 fevereiro 2019

Até o final do primeiro semestre de 2019 já deve estar disponível para comercialização para o público a telha hidropônica criada pela startup Instituto Cidade Jardim. Fabricadas em fibra de vidro com resina de poliéster e com núcleo feito de poliuretano, as telhas são resistentes a intempéries e a impactos como o do granizo e ao de pisoteio – necessário para que a manutenção do telhado verde possa ser feita.

As telhas hidropônicas pesam apenas 45 Kg por metro quadrado – bem mais leves que as de barro, que pesam cerca de 70 Kg – e são adequadas tanto para o cultivo de plantas e vegetais, para a instalação de uma horta, como para iniciar pequena plantação de soja ou cereais do tipo.

A novidade está em fase de finalização dos testes necessários para chegar ao mercado e reúne em uma única peça os vários requisitos que aparecem nos sistemas convencionais de telhado verde.

Segundo o engenheiro mecânico Sérgio Rocha, responsável pela startup, um sistema convencional precisa ter uma superfície impermeabilizada, proteção mecânica para a raiz, uma camada drenante e o fundo, para a água poder escoar.

É preciso também de um filtro, para evitar que a terra seja ‘lavada’, e acima dele fica o substrato, onde são colocadas as sementes e onde é feita a irrigação. No caso das telhas hidropônicas, várias peças com cerca de 1 m² são encaixadas, já contendo todos estes critérios em um único item.

De acordo com Rocha, até mesmo a impermeabilização do telhado seria dispensável, uma vez que as telhas não deixam passar a umidade. “O próprio encaixe evita que o sistema gere vazamentos e, ao mesmo tempo, conecta as telhas e distribui a água entre elas, como se fosse um sistema de irrigação por gotejamento”, detalha.

Manjericão cultivado em experimentos com hidroponia na Universidade de Bolonha, na Itália. Foto: Divulgação

Para criar as telhas hidropônicas, os pesquisadores envolvidos com o projeto tiveram como inspiração as telhas térmicas conhecidas como ‘telhas sanduíche’, cujo isolamento acontece por conta de uma camada central que separa as duas folhas de metal.

O projeto teve financiamento da Fapesp, que investiu R$ 760 mil para o desenvolvimento das telhas hidropônicas, criadas em dois anos de pesquisa científica. “Além da Fapesp como financiadora, temos uma parceria com a Faculdade de Engenharia de Sorocaba, que ajudou a desenvolver sensores com inteligência artificial para que seja feito um controle automatizado das hortas”, explica Rocha.

Ele esclarece que as telhas devem ser comercializadas junto com um kit de aplicação de adubo e um aplicativo de acompanhamento da irrigação. O projeto tem, ainda, parceria com o Laboratório de Materiais Construtivos da USP, além de ligações com a Universidade de Bolonha, na Itália, e com o Centro de Excelência em Telhados Verdes, na Alemanha.