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Startup desenvolve exame que pode evitar tratamentos desnecessários em pacientes com câncer de próstata

Publicado em 08 dezembro 2017

Por redacao

A ONKOS, startup ligada ao Supera Parque de Inovação e Tecnologia, de Ribeirão Preto (SP), desenvolve uma solução que contribui para o melhor manejo clínico do paciente com câncer de próstata. A pesquisa está sendo desenvolvida em parceria com o Hospital de Câncer de Barretos (SP), com objetivo de classificar a real agressividade de tumores em estágios iniciais visando evitar que pacientes com tumores não agressivos sejam submetidos a tratamentos e cirurgias intensos.

Marcos Santos, CEO da startup, explica que prever o comportamento biológico de um tumor e classificar o risco de recidiva ou metástase em pacientes com câncer de próstata localizado é primordial para definição do tratamento ou a necessidade de cirurgia. “Os parâmetros utilizados atualmente são subjetivos e falhos. Quase 60% dos pacientes classificados atualmente como de alto risco, jamais desenvolvem metástases e passam por tratamentos intensos desnecessariamente”.

O exame visa eliminar a subjetividade da classificação de risco destes pacientes. “O objetivo é mediar a atividade de moléculas chamadas microRNAS e fornecer informações personalizadas de como o tumor se comporta e se desenvolve de forma não subjetiva”, diz. “É um método mais preciso que o atual e que beneficia não somente o paciente mas também gera economia de recursos ao sistema de saúde, melhorando a sua eficácia”.

Para que a pesquisa seja desenvolvida, a startup analisou amostra de pacientes com câncer de próstata separados em três grupos: “saudáveis” que não apresentaram recidiva bioquímica ou metástase em seis anos; “recidivados”, que são aqueles que tiveram recidiva bioquímica em cinco anos; e, “metastáticos”, que desenvolveram metástase em até cinco anos.

O CEO explica que a ideia é encontrar um grupo de microRNAS que crie assinaturas genéticas específicas para cada um destes grupos, como se fossem impressões digitais e, depois, desenvolver um algoritmo que saiba diferenciar estes perfis biológicos. “Isso é feito com auxílio de técnicas de Biologia Molecular e Inteligência Artificial”, explica. “Ao analisar uma amostra de câncer de próstata de um novo paciente, nosso algoritmo identifica qual o perfil biológico da amostra e identifica com qual destes grupos ela mais tem similaridade, gerando assim um score de risco”. Os scores são classificados do mais baixo, ou seja, mais parecido com pacientes do grupo saudável, para o de maior risco, mais parecido com o grupo de pacientes metastáticos.

Com apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a pesquisa já apresenta resultados animadores. “Os resultados mostram uma alta capacidade de identificar a agressividade do tumor dos pacientes de forma acurada. A maioria dos pacientes classificados atualmente como de alto risco, são reclassificados como de baixo risco pelo nosso exame”.

De acordo com Marcos, existem empresas americanas que oferecem exames similares e estão disponíveis no Brasil. Entretanto, a amostra é coletada no Brasil, enviada para os Estados Unidos, onde é analisada. “O custo destes exames é inacessível à nossa população, já que custam cerca de R$ 12 a 15 mil”.

Com a tecnologia desenvolvida em solo brasileiro, a estimativa é que os exames fiquem até 80% mais barato. “É um exame que traz economia ao sistema de saúde, já que sugere ao médico oncologista que os pacientes de baixo risco não precisam ser submetidos a tratamentos e cirurgias caras”, enfatiza. A intenção é que este produto esteja disponível no mercado no final de 2018.