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Startup desenvolve equipamento para esterilização remota de ambientes

Publicado em 02 março 2021

Por Elton Alisson | Agência FAPESP

A startup BioLambda desenvolveu em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein um equipamento móvel, operado remotamente, capaz de esterilizar ambientes com radiação ultravioleta C (UVC) em três a seis minutos.

O equipamento foi idealizado originalmente para ser utilizado em ambientes hospitalares, como quartos de internação, centros cirúrgicos, laboratórios de análises clínicas, pronto atendimento, ambulâncias, locais de triagem de pacientes e de coletas de amostras para exames. Mas também poderá ser usado para descontaminar escritórios, indústrias alimentícias e até contêineres para exportação de alimentos processados ou in natura antes da embarcação.

Além da ação germicida, a radiação UVC emitida pelo equipamento é capaz de inativar o novo coronavírus, afirma Caetano Sabino , fundador da empresa. “Os testes em laboratório de biossegurança de nível 3 [NB3] mostraram que mesmo o equipamento com menor potência que já tínhamos desenvolvido, que é um descontaminador portátil de superfícies, é capaz de eliminar 99% da carga de coronavírus em menos de um segundo”, diz Sabino.

O equipamento integra uma linha de descontaminadores de superfície, de ar, de ambientes e de máscaras de proteção N95 ou de tecido desenvolvida pela empresa com apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas ( PIPE ) (leia mais em pesquisaparainovacao.fapesp.br/1572 ).

O projeto do equipamento surgiu a partir de uma demanda do Hospital Israelita Albert Einstein. No início da pandemia de COVID-19, a equipe de apoio assistencial da instituição começou a buscar no mercado equipamentos para esterilização de ambientes por UVC a fim de auxiliar o processo manual de limpeza de quartos reservados para atendimento de pacientes com suspeita ou confirmação da doença.

“O processo manual de limpeza já é muito eficiente, uma vez que elimina até 92% de unidades formadoras de colônias de microrganismos. O objetivo de usar a tecnologia UVC é complementá-lo para garantir maior segurança e eficiência”, explica Luiz Moreira, coordenador da área de governança e hospitalidade e gerente interino da área de apoio assistencial do Hospital Israelita Albert Einstein.

Ao começar a utilizar equipamentos para esterilização por UVC adquiridos inicialmente de outros fornecedores, os profissionais da instituição identificaram a oportunidade de melhorar o desempenho e a usabilidade dessa tecnologia. Como não identificaram no mercado fabricantes que pudessem atender aos requisitos que estabeleceram, fecharam uma parceria com a BioLambda, que integra a Eretz.bio, a incubadora de startups do Hospital Israelita Albert Einstein.

“Estávamos procurando por uma empresa disposta a trazer experiência com esterilização por UVC que pudesse ser somada à de um executor da tecnologia para desenvolvermos um produto exclusivo, com aplicação mais rápida”, afirma Moreira.

Os equipamentos comprados inicialmente pela instituição demoravam, em média, dez minutos para concluir a aplicação de UVC em um ambiente. Ao aumentar a quantidade de lâmpadas e a potência, o equipamento desenvolvido pela BioLambda conseguiu reduzir esse tempo em cinco minutos. “Fizemos uma série de requisições para diminuir não só o tempo de uso do equipamento, que é extremamente importante para potencializar a operação do equipamento, mas também para torná-lo extremamente usual e seguro”, diz Moreira.

A BioLambda desenvolveu em aproximadamente três meses o equipamento em parceria com a equipe da área de apoio assistencial do hospital. Os testes foram feitos inicialmente em quatro leitos do hospital. Para avaliar a efetividade do equipamento na eliminação de microrganismos foram feitas contagens de unidades formadoras de colônia antes da higienização manual do quarto, após esse processo e depois da aplicação da radiação UVC. Os resultados mostraram que, juntamente com a higienização manual, a esterilização com radiação UVC elimina 99,9% dos microrganismos vivos no ambiente.

Já nos testes operacionais foi avaliada a facilidade de uso de equipamento pelas camareiras do hospital. “Depois da higienização de um quarto hospitalar, as camareiras ficarão encarregadas de levar o equipamento para dentro, ligá-lo e sair para que o equipamento faça de forma autônoma os procedimentos de desinfecção por radiação UVC”, explica Sabino.